Tragédias marcam história da PM em MT
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Tragédias marcam história da PM em MT

Fonte: Da Redação NMT
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Sargento Vilela foi morto por um vigia durante abordagem, nesta semana, e entrou para as estatísticas trágicas da PM de Rondonópolis. Foto - Reprodução Redes Sociais

O corpo do sargento da Polícia Militar, Ilário Vilela Silva, foi transportado para Brasília, sua terra natal, após sua morte trágica em Rondonópolis, nesta semana. O exemplo do militar se junta a vários outros casos chocantes envolvendo agentes de segurança de pública no Mato Grosso, boa parte tendo a maior cidade do interior como palco de tais acontecimentos. Vilela abordava um veículo parado próximo a uma construção, onde dormia um vigilante noturno armado, que se assustou com a chegada do policial e lhe desferiu dois tiros no rosto. A morte de Vilela, porém, é o primeiro caso de morte policial em atendimento de ocorrência na cidade.

Alguns outros casos, porém, envolvendo policiais militares, ganharam repercussão estadual, nacional e até mundial pela maneira absurda que algumas mortes ocorreram. Um dos fatos mais conhecidos e históricos foi o do capitão Luiz Carlos de Camargo, em 12 de junho de 1995, que teve sua picape F-1000 toda metralhada em frente a uma lanchonete, na Vila Aurora, matando ele e a esposa, Ivete Bispo. Quatro pessoas acabaram indiciadas pelo crime que chocou o Mato Grosso, na época. Camargo estava envolvido em um trabalho intenso de combate ao tráfico de drogas e essa situação acabou por lhe tirar a vida.

O adolescente Nilson Pedro da Silva, de 15 anos, morto por policiais em 2001, foi outro acontecimento marcante na história de Rondonópolis. O garoto, oriundo da zona rural, se assustou com a abordagem policial e tentou empreender fuga. Ele acabou sendo executado com um tiro na nuca próximo a ponte da Vila Jardim, na rua José Barriga. Na época, uma reportagem da TV Record filmou a perseguição policial, o que acabou por jogar por terra a versão do então tenente Dennis Marcelo, que comandou o ato e chegou registrar no boletim de ocorrência que o garoto portava uma arma, mas nas imagens ficou evidente que Nilson estava desarmado. Dennis e o ex-solado, Evandro César Rodrigues, foram condenados e expulsos da corporação.

Morte acidental de criança em simulação do GOE virou notícia internacional. Foto – ATribuna/GD

Poucos acontecimentos, no entanto, tiveram tanta visibilidade quanto uma malfadada simulação do Grupo de Operações Especiais – GOE no Jardim das Flores, em 26 de maio de 2007, há exatos 11 anos. Enquanto se apresentava um cenário hipotético de possível sequestro, onde várias crianças eram personagens, nem todas as armas utilizadas pelos policiais estavam com balas de festim. Uma arma de calibre 12 continha munição verdadeira e em meio a apresentação nove pessoas ficaram feridas, sendo que seis eram crianças. Entre elas, uma não resistiu após ser atingida por estilhaços na cabeça. Tratava-se do estudante Luiz Henrique Dias Bulhões, de 13 anos de idade. A imprensa internacional chegou a divulgar o inexplicável acontecimento.

O caso do soldado da PM, Julierme Franklin Anacleto, foi outra morte que chamou muito atenção por tudo que envolveu. Ele e mais dois colegas policiais decidiram assaltar uma distribuidora de bebidas (Renosa), em janeiro de 2011, as margens da Rodovia do Peixe. Os três foram recebidos a tiros por seguranças da empresa e Franklin acabou ferido. Na época, o corpo do soldado acabou sendo encontrado apenas na Avenida João XXIII, às margens do córrego Canivete, no bairro Jardim Luz D’Ayara, na manhã seguinte do ocorrido. A polícia apresentou versão na época que os próprios comparsas do PM podem tê-lo executado, já que temiam que se ele fosse enviado a um hospital todo esquema seria fatalmente descoberto. Os outros dois foram detidos.

Soldado Caio – Foto: Redes Sociais

A morte do soldado Young Caio Rodrigues, em 2013, entrou na classificação de fatalidade e acabou sendo matéria até do global Fantástico. O policial, a paisana e pilotando uma moto, acabou interceptando o colega de farda e vizinho, Eliseu Cintra, que saia de carro com a esposa de sua garagem. Em forma de brincadeira, Caio teria gritado “perdeu polícia, perdeu”, imitando a fala de bandidos. Imediatamente, Cintra disparou duas contra o amigo e só posteriormente viu que se tratava de um engano. O soldado chegou ser socorrido, mas não resistiu a uma cirurgia para retirada dos projéteis. Coincidentemente, o sargento João Edson Rodrigues e o cabo Sinomar Martins de Freitas morreram no mesmo dia de infarto fulminante.

Em dezembro de 2014, o sargento Aelson Alves de Souza retornava para casa após seu turno de trabalho quando foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta na Rua Casemiro de Abreu, na região central de Rondonópolis. Os criminosos dispararam e atingiram o policial com três tiros na região da cabeça e pescoço, pouco ruas antes de sua residência. Ele ainda estava fardado quando faleceu, logo após ser atingido. A investigação posterior apontou execução e que os bandidos acompanhavam o pm desde sua saída do Batalhão.

Há dois anos atrás, em 2016, o também sargento, Aloísio Freitas Cavalcante foi baleado durante um assalto em uma loja da cidade e mesmo socorrido acabou não resistindo e indo a óbito. Entre os envolvidos da ação criminosa, estavam menores de idade, identificados pela polícia após acesso a conversas de WhatsApp. Freitas teria reagido ao assalto. No mesmo ano, o cabo Said Francisco Canam, morreu quatro dias de ter sido baleado ao reagir a uma tentativa de assalto. Ele estava em uma lanchonete, no Jardim Guanabara, quando percebeu dois suspeitos roubando um casal que ali também estavam. Said prontamente agiu, ferindo um deles, mas recebeu um tiro no pescoço. Foi socorrido, mas acabou não resistindo ao ferimento.

A segurança pública na cidade ainda acumulou outras mortes impactantes nos últimos anos como a do policial civil, Alcides Borges Napes, que se envolveu em uma troca de tiros com dois bandidos, em 2012, enquanto transportava uma grande quantidade de dinheiro para a Transportadora de Sementes Bom Jesus. O confronto ocorreu perto da sede da empresa, na região do viaduto da BR-364, em Rondonópolis. Mesmo com colete a prova de balas, Alcides foi atingido em região vital, enquanto que os suspeitos fugiram, embora um teve de procurar ajuda médica e no mesmo dia foi identificado pela polícia.

Soldado atleta acabou sendo vítima de um aneurisma fatal. Foto: Arquivos Pessoais

Embora por causa natural, a morte do soldado Jonathas Santos da Silva, em 2014, também abalou a corporação. Faixa preta de kickboxing, faixa marrom de Jiu-Jitsu e kruang vermelho ponta azul no muay thai, o PM de 29 anos e 10 de atuação na polícia ainda era triatleta, mas acabou internado com um aneurisma cerebral, vindo a falecer alguns dias depois.