ENTREVISTA: Salles expõe desânimo em ir a federal e indica Guinâncio
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ENTREVISTA: Salles expõe desânimo em ir a federal e indica Guinâncio

Fonte: Da Redação NMT
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Foto - Reprodução Youtube

O ex-governador de Mato Grosso e ex-prefeito de Rondonópolis, Rogério Salles (PSDB), falou com exclusividade ao NMT sobre o planejamento que o seu partido tem elaborado na maior cidade do interior visando as eleições de 2018. Além de uma candidatura para deputado estadual, que deve trazer o presidente da Câmara, Rodrigo da Zaeli (PSDB), para a disputa, Salles confirmou que novamente a sigla deve apresentar uma candidatura a deputado federal. Ainda sem descartar totalmente, Rogério mostrou pouca vontade em tentar pela quarta vez uma vaga no Congresso Nacional. O veterano citou a possibilidade do atual vereador, subtenente Guinâncio, ocupar a vaga.

“Nós temos discutido alguma coisa aqui em Rondonópolis da necessidade do PSDB de uma candidatura a federal. Meu nome acaba surgindo naturalmente, mas nesse quadro que está aí não tô animado não”, indicou. Questionado se viesse novamente uma aclamação dos correligionários, neste sentido, Rogério mostrou que dessa vez deve resistir. “Esse negocio de decisão de partido é complicado, mas a gente não pode ficar dizendo “não sou, não sou” e daqui a pouco ser diferente. Mas minha definição hoje é de não ser. No entanto, vamos trabalhar sim (uma candidatura do partido), já conversamos, inclusive, com vereador Guinâncio, que aceitou discutir a ideia. Mas o quadro está muito indefinido ainda”, contemporizou.

Rogério avalia que Taques paga agora a fatura por ter dado pouco espaço político em seu governo para os partidos que o apoiaram em 2014. Foto: Arquivo/OD

Rogério também fez uma análise sobre o cenário majoritário em Mato Grosso e pontuou que seu correligionário, o governador Pedro Taques (PSDB), passa por um natural desgaste político pela maneira que decidiu montar sua equipe de governo. “Pedro tem um desgaste, principalmente no meio político, porque acabou optando por fazer um governo sem fazer política (…) Quando você participa de um processo eleitoral, quem ajuda eleger também quer ajudar a governar. Ajudar a governar, de certo modo, principalmente pra quem tem mandato, implica em colocar e ter algumas peças no jogo, né?  E aí quando chega agora na hora da eleição, vem a fatura (…) A opção que ele fez de administração acabou criando essa dificuldade política”, analisou.

O tucano avaliou, porém, que com a população o atual gestor estadual segue dialogando bem, mas admitiu dificuldades. “O governo estava muito ruim, né? Mas em termos principalmente de honestidade, que foi a bandeira que ele foi eleito, o Pedro, de certo modo, continua com essa imagem. Já com a realização de obras, até por conta da situação do estado, todo mundo entende que era difícil fazer alguma coisa. Então eu acho que o Pedro vem recuperando e de qualquer jeito o governador em exercício, que é candidato a reeleição, sempre agrega aí os seus 30%. Do outro lado, a oposição é toda desarticulada , o Mauro não define se é candidato ou não né e isso impede eles de se organizarem. Essa postura do Piveta (de ser pré-candidato), que é um aliado do Mauro, passa um sinal claro, pra mim, de que o Mauro não é candidato”, crava.

Presidência da República

Sobre a onda Jair Bolsonaro (PSL), que tem levado o deputado federal, praticamente sem arco de aliança com outros partidos, a figurar entre os principais nomes nas intenções de voto, Rogério considera a situação natural, mas projeta que mais próximo do pleito o eleitor inevitavelmente tenderá a ser menos emocional e vê assim boas possibilidades da Presidência da República ficar com um candidato do chamado centro. “Eu ainda acredito que o eleitor, na hora que vai aproximando a eleição, ele muda a postura. Agora quem aparece é quem já está colocado e que tem postura mais radical, que no caso é o Bolsonaro, mas na média o nosso eleitor não é tão radical assim. Eu acho que vai acabar caminhando pra um candidato de mais equilíbrio. E aí é a esperança que temos do Alckmin crescer, mas tá demorando”, alertou.

Para Salles, a estabilidade necessária para que o Brasil retome a paz não está nas mãos de Bolsonaro ou de qualquer outro candidato do PT ou apoiado pelo mesmo. “A grande crise que o Brasil atravessa hoje é uma crise política. Se a Dilma fizesse um pouco mais de política ela não teria caído, talvez até se tivesse pior do que esteve em termos econômicos ela teria se mantido. Quem consegue resolver isso eu acho que encontra a saída, mas aí Bolsonaro ou então alguém mais ligado ao PT ao invés de resolver essa questão política vai agravar. Eu não vejo alternativa pra sair dessa crise e tentar costurar alguma coisa desta maneira, porque o caminho não é o confronto. O caminho é o da negociação e quem tem capacidade e estatura pra fazer isso é o Alckmin, dentre estes que estão colocados”, finalizou.