Entrevista Especial com vereador Silvio Negri (PCdoB)
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Entrevista Especial com vereador Silvio Negri (PCdoB)

Fonte: Thiago Mattar
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Entrevista Especial Nº 1 - Silvio Negri (PCdoB). Foto: Felipe Arcanjo.

Propondo uma aproximação entre os leitores e as principais personalidades políticas da cidade de Rondonópolis, o portal Notícias de Mato Grosso lança a série Entrevista Especial. Na primeira edição, nossa reportagem conversou com o vereador Silvio Negri (PCdoB). Passados os primeiros seis meses de sua primeira legislatura, o professor fez um balanço das propostas apresentadas na Câmara de Rondonópolis e abordou os contextos políticos local e nacional. Leia a entrevista completa abaixo.

NMT – Vereador, como o senhor avalia esses primeiros seis meses de trabalho?

SN – O balanço desses primeiros seis meses do meu primeiro mandato é positivo. Todos os projetos propostos foram aprovados, e tenho mais dois projetos para encaminhar para a Casa nas próximas semanas. É claro que os primeiros seis meses é um aprendizado para quem é novo, como eu. Com relação a minha proposta de defender a educação, tenho procurado estar sempre presente, sempre junto aos professores. Tenho visitado as creches, as escolas, visto as demandas desses profissionais… tanto que isso ajudou que eu fosse escolhido pelos meus pares como presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte, e aí vem uma responsabilidade a mais. Juntamente com os pares, tenho buscado fazer um trabalho muito próximo dessas áreas. Sem deixar, é claro, de trabalhar por outras áreas como a questão do transito, a modalidade urbana e a saúde. O vereador está na linha de frente. O papel do vereador é esse. Então, tenho buscado ficar o mais próximo possível da comunidade.

NMT – O senhor comentou sobre alguns projetos que apresentou na Câmara, quais deles o senhor destacaria?

SN – Tenho um que foi aprovado no início do ano, que trata da questão do combate a violência sexual, psicológica e doméstica com relação aos alunos da rede municipal de ensino. Esse projeto prevê a montagem de uma equipe, já existente no município, de psicólogos e médicos para atender crianças nas unidades escolares e também um telefone de emergência na secretaria de Educação para que sejam atendidas denúncias com relação a violências que as crianças possam sofrer. Outro projeto é a criação do bairro Cidade Universitária, onde já fazem parte a UFMT, a Secitec, e futuramente o Parque Tecnológico, e onde possivelmente haverá a instalação de uma faculdade particular de São Paulo. Cito ainda mais dois projetos: um que permitiu que você pudesse recorrer das multas de trânsito através da internet e outro, que foi aprovado ontem, é uma lei de transparência em relação aos imóveis públicos. Ela estipula que fique claro no Portal da Transparência quais são os imóveis públicos, quais são os locados pela Prefeitura, o preço do aluguel desses imóveis, o endereço desses imóveis…

NMT – Até para o cidadão poder cobrar serviços básicos como limpeza, manutenção…

SN – Exatamente. E tenho mais outros projetos que ainda vou apresentar.

NMT – Um dos trabalhos do vereador é também fiscalizar o executivo. Como você avalia o trabalho do executivo como um todo neste tempo?

SN – Eu não me furto a fazer críticas, mas faço sempre como uma contribuição positiva, para que os serviços melhorem. Embora eu seja um vereador da base, eu tenho a obrigação de representar a sociedade e contribuir com ideias, sugestões e críticas.

NMT – Em relação ao trabalho realizado na rede municipal de ensino, como o senhor avalia a gestão do prefeito?

SN – Os primeiros seis meses de uma administração sempre são um pouco emperrados até o trabalho começar a andar. E num momento de crise nacional isso tem efeito dobrado sobre as administrações municipais. Então, tenho buscado nesses primeiros seis meses estar auxiliando o prefeito e a secretaria de Educação nesse sentido. Claro, algumas coisas ainda não começaram a acontecer de uma forma mais rápida, mas, por exemplo, essa semana conversei com o prefeito sobre a infraestrutura das escolas, a questão das merendas, da energia elétrica e ar-condicionado nessas escolas, a questão dos professores do campo. Eu tenho buscado intermediar esses problemas. Agora a gente espera que, passado esse primeiro semestre, as coisas comecem a andar melhor, principalmente a questão das licitações. A tendência é que comece a andar mais rapidamente.

NMT – Alguns militantes do PCdoB têm cobrado que o senhor seja mais ativista e que defenda mais abertamente as pautas do partido. Como o senhor vê isso?

SN – Uma coisa é ser militante e você pertencer a uma organização de base, a um movimento. Outra coisa é você ser um parlamentar. A gente não pode confundir a atuação de um vereador numa cidade média de Mato Grosso como Rondonópolis com a atuação de um parlamentar em Brasília. As pautas são diferentes, mesmo que interligadas. A função de um vereador é um pouco diferente da de um deputado ou senador. A partir do momento que você se propõe a trabalhar pela educação, cultura, esporte e questão social, você trabalha pelas pautas do partido. E eu tenho buscado trabalhar com essas pautas, mas respeitando também os demais colegas de parlamento. Aqui nós estamos fazendo parte e participando do governo. Aqui na cidade a situação é mais de diálogo do que de oposição.

NMT – Como o senhor vê esse momento de polarização que o país vive?

SN – Eu vejo como um momento perigoso. A diversidade de ideias e ideologias foi transformada em inimizade. Se nós vivemos numa democracia, temos que aprender a conviver com a diversidade de ideias. Ele não é seu inimigo. Ele é apenas alguém que pensa diferente de você. Nós temos que aprender, dentro dessa curta democracia que nós vivemos desde 1985, a conviver com essas diferenças. Me parece que essas diferenças tem se exacerbado nos últimos anos e cada vez mais as pessoas tem se isolado em suas ideias, sem ao menos consultar o outro lado para fazer uma análise mais acertada. Então, este é um momento de instabilidade política, institucional e democrática. Temos que tomar muito cuidado para que não haja uma ruptura como já aconteceu com a deposição de uma presidente legitimamente eleita. A partir daí, aumentou a instabilidade no nosso país. Quer você goste do governo dela ou não, isso fez com que nossa democracia ficasse fragilizada e as nossas instituições também. Isso nos preocupa muito porque algumas ideias e ideais de extrema esquerda e de extrema direita tem florescido cada vez mais. Temos que tomar cuidado com isso. Vivemos numa democracia frágil, recente, com uma constituição que vai completar trinta anos. A gente tem que aprender a respeitar nossa democracia e nossa constituição, caso contrário não é mais democracia.

NMT – E como o senhor vê a representatividade nessa proposta de Reforma Política discutida no congresso?

SN – Não é uma reforma política propriamente dita. É praticamente um remendo o que eles estão pensando em fazer. O que eu vejo hoje é que estão buscando manter apenas um pequeno número de partidos, para que praticamente uma dezena de partidos fique funcionando no Brasil. E essa proposta do “distritão” é extremamente desigual, favorecendo apenas quem já tem mandato, poder econômico e midiático. Isso tende a conservar quem já está no poder, para que não haja uma renovação. Se você observar a eleição de 2016 que nós tivemos em Rondonópolis, que foi pelo sistema proporcional, você vê que nós tivemos uma renovação de praticamente cinquenta por cento das cadeiras. No sistema desigual de “distritão” que está sendo defendido, isso não seria possível, e os mais prejudicados seriam os desprovidos de poder financeiro e também os partidos menores. Mas não é algo que está decidido. Não dá para cravar nada até 7 de outubro, que é o prazo final para qualquer tipo de reforma. A gente tem que ver como isso vai avançar.

NMT – Voltando para Rondonópolis. Na sua concepção, quais os maiores desafios que a cidade precisa enfrentar daqui para frente?

SN – Um dos maiores desafios para nós é a saúde. Nós somos polo da região sul. Muitos municípios são dependentes da saúde pública de Rondonópolis e o Governo do Estado tem atrasado alguns repasses para o município, o que tem dificultado as contas públicas. A queda da arrecadação também contribui pra essa dificuldade. Outro dos maiores desafios é a questão da mobilidade urbana, que está sendo discutida agora pelo plano diretor. E também a absorção de mais crianças na rede municipal de ensino. O prefeito vem, juntamente com o Governo do Estado, tentando superar essas dificuldades. Recentemente ele conseguiu a construção de quatro escolas, e mais quatro creches com recursos federais, e a gente espera que isso vá para frente.

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