Emoção sem torcida: Vasco cresce no segundo tempo e bate o Flamengo
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Emoção sem torcida: Vasco cresce no segundo tempo e bate o Flamengo

Fonte: Gabriel Fricke e Thierry Gozzer
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A casa vazia não fez jus ao clássico. Em jogo apertado, muito falado, cheio de provocações e alternâncias no placar, o Vasco venceu o Flamengo por 78 a 77 e voltou a triunfar no Novo Basquete Brasil. O resultado leva o Cruz-maltino de volta ao caminho das vitórias após o revés para o Minas, na quinta-feira, fora de casa, e dá ao Rubro-Negro uma marca negativa jamais vista na temporada regular de toda a história do NBB. Desde que o torneio começou a ser disputado, na temporada 2008/09, essa é a primeira vez que o clube perde três partidas seguidas na primeira fase do torneio. Com o resultado, o Vasco volta a colar no G-4, com nove vitórias e sete derrotas. Já o Flamengo, com 12 vitórias e agora cinco derrotas, deixa escapar a chance de assumir novamente a liderança.

O confronto foi recheado de provocações e faltas técnicas. Sem torcida presente por falta de efetivo da polícia militar do Rio de Janeiro, era possível ouvir cada indicação dos técnicos e as reclamações com a arbitragem. Numa delas, em momento decisivo do jogo, Marquinhos, do Flamengo, levou falta técnica e foi excluído da partida, nos minutos finais.

O Vasco se aproveitou, dominou e venceu. Apesar da derrota, Marquinhos foi o cestinha com 27 pontos. Ele ainda deu cinco assistências. Olivinha, com 14 pontos e 17 rebotes, fez outro duplo-duplo. JP Batista terminou o duelo com 12 pontos. No Vasco, Nezinho fez 22 pontos, Hélio deixou 16 pontos na quadra e Murilo anotou 14, com oito rebotes. David Jackson terminou com nove pontos e cinco rebotes.

– Eu gosto de jogar esses clássicos. Um jogo muito perto do outro tira um pouco do foco da concentração. Não é desculpa, mas contra o Minas (na quinta-feira) perdemos um jogo que não era para termos perdidos. No clássico, você tem que se preparar mais, se esforçar ainda mais, porque os jogos são mais intensos. Se você estiver bem fisicamente, consegue ajudar sua equipe de uma maneira muito boa – falou Nezinho, destaque vascaíno, lamentando também o fato de não ter torcida.

– Particularmente, é muito triste para mim não ter torcida. Quando eu morava em São Paulo, assistia Flamengo x Vasco que tinha no Maracanãzinho lotado. Quando vim para cá, pensava nisso, em jogar com uma arena explodindo. Quando começaram os imbróglios no Carioca, eu fiquei muito triste. Meus pais hoje estavam aqui, queriam vir para o jogo, minha mulher está louca por não estar aqui. Acho triste para o basquete, mas temos que jogar, né? – relatou o atleta.

José Neto, técnico do Flamengo, explicou que faltou consistência para o time e lamentou ainda que a equipe tenha sido derrotada no detalhe.

– Faltou consistência. Acredito que os jogos estão sendo muito disputados e podem ser decididos nos detalhes. Sempre buscamos a regularidade para que o detalhe seja a nosso favor, não contra. Que o detalhe seja algo favorável. Quando a gente vê essa diferença de um ponto, vê quanto o detalhe é importante. Mas isso é um trabalho de dia a dia, os meninos estão entrando e vamos superar as dificuldades. Jogamos contra um time experiente do Vasco e acho que isso faz uma diferença muito grande.

O Flamengo volta a quadra pelo Novo Basquete Brasil no dia 2 de fevereiro, quinta-feira, em São Paulo, diante do Pinheiros, às 19h30. Já o Vasco também vai até São Paulo, mas só joga no sábado, dia 4, contra o Mogi das Cruzes, às 14h, no Ginásio Professor Hugo Ramos.

equilíbrio em todo o duelo

Os primeiros quatro minutos foram de domínio do Flamengo, marcando bem, o Rubro-Negro fez o Vasco chegar a estourar o limite de posse de bola. Assim, o time aos poucos controlou a partida e abriu 8 a 2 em arremesso de JP Batista após rebote ofensivo de Olivinha. Como resposta, David Jackson conseguiu colocar bola de três pontos e diminuiu para 8 a 5. Mas era o Flamengo quem seguia com maior volume de jogo. Faltando três minutos para o fim do quarto, Marquinhos cravou para abrir 13 a 7. Em seguida, Lelê ampliou para 15 a 7. Palácios e Hélio, em dois lances seguidos, recolocaram o Vasco na pontuação, mas JP, de gancho, seguia dando volume ao Fla: 17 a 11. No último ataque do quarto, Marquinhos, de muito longe, meteu bola de três e abriu 22 a 11 para os flamenguistas.

O Vasco iniciou o segundo quarto melhor. Com pontos seguidos, inclusive duas bolas de três de Palácios, diminuiu para 24 a 19 nos três primeiros minutos. Ronald Rámon deu resposta rápida também com bola de três, e o Flamengo voltou a ter margem confortável com 27 a 19. Hélio, na mesma moeda, mostrou que o Cruz-maltino estava mais ligado no jogo. Nezinho, em arremesso para dois pontos, fez José Neto parar o jogo para o Flamengo com o placar em 29 a 26. A parada não funcionou, e Nezinho, para três, igualou em 29 a 29. Na jogada seguinte, Mineiro, bem no jogo, meteu para três também e fez 32 a 29 para o Fla. Só que Nezinho, de novo, empatou faltando menos de dois minutos. Em bobeira do Vasco, uma falta antidesportiva e quatro pontos seguidos de Marquinhos fizeram o Rubro-Negro abrir 36 a 32. Trocando pontos no último minuto, o Flamengo foi para o vestiário vencendo por 38 a 35.

Apostando na jogada de garrafão com JP Batista, o Fla conseguiu manter a vantagem nos primeiros dois minutos. Em bola com ajuda da tabela, o pivô Rubro-Negro fez 42 a 39. No minuto três do período, Nezinho empatou em 44 a 44 na sua terceira bola de três pontos. O Vasco virou pela primeira vez com Murilo, mas Marquinhos, cestinha do jogo, deu o troco para o Flamengo: 49 a 48 na metade do terceiro quarto. Com Hélio para três, Fiorotto e depois Nezinho, o Vasco voltou a comandar e pela primeira vez folgou no marcador com 58 a 51. José Neto pediu tempo, e na volta Pedrinho diminuiu para o Fla em bola de três: 58 a 54. Por reclamar, o técnico do Vasco, Dedé, levou falta técnica. Com um ataque a mais e lance livre, o Rubro-Negro diminuiu para 60 a 58 faltando um minuto. Só que o Cruz-maltino se aproveitou bem de duas falhas e com Murilo fechou em 64 a 59, vencendo mais um quarto bem.

Na volta para o último quarto, o Flamengo rapidamente empatou com cinco pontos seguidos, numa delas em bola de três de Marquinhos: 64 a 64. No segundo minuto do período, Mineiro recebeu assistência de Olivinha e cravou para virar em 66 a 64. No primeiro ponto do Vasco na parcial, Drudi meteu bola para dois. E David Jackson, dançando em cima de Olivinha, empatou o jogo em 68 a 68, faltando cinco minutos por jogar. Olivinha, em lances livres e no rebote, deu três pontos de vantagem para o Flamengo na reta final: 71 a 68. Nezinho, em bola de três, e David Jackson, em lances livres, viraram para o Vasco em 73 a 71 faltando dois minutos. Ao sofrer falta, Marquinhos tinha três lances livres, e igualou o jogo em 73 a 73, mas acabou excluído do jogo por falta técnica flagrante.

Lelê bateu o último lance e virou em 74 a 73. A bola então foi para o Vasco, que empatou em 74 a 74 pela falta técnica e depois teve a posse de bola. Aproveitando o momento, o Cruz-maltino passou à frente por 76 a 75 no minuto final. Pedrinho, assumindo a responsabilidade, bateu para dentro do garrafão do Vasco e conseguiu os dois pontos para o Flamengo: 77 a 76, faltando 32 segundos. David Jackson colocou bola na bandeja e recolocou o Vasco na ponta. Na saída de bola, o Flamengo errou e Fiorotto sofreu a falta quando ia pontuar com o placar em 78 a 77. O pivô errou os dois lances livres e a posse de bola foi para o Flamengo com 1,2 segundo por jogar Mas Olivinha errou a saída de bola e a vitória foi do Vasco.