EGO invade PSL e Bolsonaro já vê que deveria ter escolhido melhor
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EGO invade PSL e Bolsonaro já vê que deveria ter escolhido melhor

Fonte: Da Redação NMT
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Presidente eleito tem como aliados figuras de difícil trato. Foto - Lula.com/Arquivo

Como se não bastasse os desgastes de ter que explicar sobre a investigação do Supremo Tribunal Federal – STF sobre o Caixa II de Onyx Lorenzoni (DEM), seu futuro chefe da Casa Civil, ou sobre a movimentação milionária suspeita por um ex-assessor do filho, Flávio Bolsonaro, com dinheiro caindo até na conta de sua atual esposa, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), ainda está sendo obrigado a conviver com embates internos dentro do PSL. Sobretudo movimentado pelos interesses pessoais da deputada eleita, Joice Hasselman (PSL), que quer ser líder do Governo na Câmara Federal ou líder do PSL, na tentativa de garantir condição para usar o microfone sempre, algo que adora, os bastidores do partido estão pegando fogo e Eduardo Bolsonaro (PSL), deputado federal e filho de Jair, não aguentou e atacou Joice num grupo de WhatsApp, insinuando até loucura da “colega”.

A verdade é que todo agrupamento de poder é um campo minado, mas em países como o Brasil, onde a maioria costuma ter o “sangue quente”, não é nada difícil ver um ambiente amigável, de uma hora pra outra, virar palco de caso até para a polícia. Com o PT, também foi difícil administrar desde o início, mas havia cruciais diferenças. Logo após Luis Inácio Lula da Silva (PT) chegar a Presidência da República, em janeiro de 2003, começou nos bastidores a guerra por espaço no Planalto por gente que tem a maldade na veia, como é o caso de Zé Dirceu e José Genoíno. Mas, publicamente, há de se reconhecer, pouca coisa vazava, neste sentido.

Os discípulos de Lula, talvez em virtude de uma inteligência emocional mais acentuada, obedientemente sempre seguiram a linha da falsa união para a chamada opinião pública, até porque sabiam que se a roupa suja fosse lavada na praça o maior prejudicado seria o chefe e eles realmente respeitavam o chefe, aliás, respeitam até hoje, mesmo com o dito cujo preso. No caso de Jair Bolsonaro (PSL), que sequer assumiu,  seus aliados – inclui-se aqui muitos senadores e deputados eleitos – surfaram a onda do seu prestígio popular e alcançaram vitória na urna, mas não o veem como os petistas veem Lula. Joice, por exemplo, vive tentando ressaltar características pessoais parecidas com Bolsonaro, mas não tem uma base política construída, ou mesmo uma história de luta junto com seu novo líder.

Para ser prático, se Bolsonaro fizer um mau governo, independente das condições que levarem a isso, o próprio presidente sabe que muitos dos que se elegeram praticamente nas suas costas não comprarão o desgaste consigo, como fazem hoje os petistas com Lula. Aliás, as falas da própria Joice, por exemplo, em muitos momentos mostram que a deputada atribuiu muito mais a si própria do que ao apoio de Bolsonaro sua eleição com números recordes. Eduardo, obviamente, até por ser da família, é um dos únicos que o presidente pode ter maior confiança. Ocorre que o deputado trouxe no gene a impulsividade e a mania de falar demais. Eduardo afirmou, em um grupo de WhatsApp, que Joice se faz de sonsa e tem fama de louca, o que bastou para uma grande confusão começar. Ele poderia ainda ter completado sobre o narcisismo fora de controle da correligionária, mas o que disse já foi suficiente para Hasselman novamente correr para os holofotes e ser notícia, mesmo que de maneira negativa.

Bolsonaro conseguiu o quase milagre de fazer um partido nanico e sem fundo partidário eleger a segunda bancada da Câmara Federal. Por sua influência, muita gente que jamais chegaria também cavou sua vaga no Senado Federal. Todavia, ao se olhar nome por nome que esta nova e devastadora onda política carregou até Brasília é difícil imaginar o que vai acontecer com todo esse pessoal nos próximos quatro anos. É como se, por um momento, alguém retirasse os alunos de comportamento mais complicado de cada classe de uma escola e os pusessem juntos. Difícil imaginar boa convivência. Mato Grosso, por exemplo, tem a ex-magistrada e eleita senadora, Selma Arruda (PSL), que já trabalha para derrubar o atual deputado federal e primeiro suplente, Victório Galli (PSL), da condição de presidente do partido. Este, por sua vez, não derramaria lágrima alguma se a Justiça Eleitoral tirasse o mandato da primeira e tem gente que até diz que ele nunca orou pelo contrário. Nelson Barbubo (PSL), o deputado federal mais votado de Mato Grosso, tem trabalhado contra Galli nos bastidores e já deu declaração pública que está de olho na vaga de Selma, projetando a queda da mesma. Isso tudo antes mesmo de iniciar a próxima legislatura e antes mesmo de Bolsonaro, de fato, comandar o país.

Pra quem gosta de confusão, eis o cenário ideal…