Educação é transformadora
Supermoveis

Gov

Adventista

Educação é transformadora

Fonte: fococidade
SHARE
Onofre Ribeiro

No correr da semana passada tive a oportunidade de entrevistar no rádio em Cuiabá o secretário estadual de Educação de Mato Grosso, Marco Marrafon. Nosso tema acabou se fixando nas experiências de escolas em tempo integral que estão sendo gradualmente implantadas.

Neste artigo gostaria de ater-me aos reflexos desse tipo de escola na sociedade atual e na futura de nosso estado. A escola que mantenha o estudante no ambiente físico e pedagógico moderno, alimentado e motivado, é a única chance do Brasil reconstruir uma cidadania que já teve e se perdeu com a urbanização da última metade do século 20 e os 18 anos deste.

Misturo um pouco de experiência pessoal. Em 1961 começava em Brasília um modelo de educação apropriada ao projeto da nova capital do país no interior. Pretendia-se criar um polo novo de educação voltado ao humanismo que se desenvolveria nas décadas seguintes naquele quase deserto e isolado Centro-Oeste brasileiro. Tive duas raras felicidades dentro daquele projeto: estudar no colégio Elefante Branco e na Universidade de Brasília.

No Elefante Branco, tudo era diferente, a partir da arquitetura libertadora em relação às autoritárias escolas tradicionais do Brasil. Pela manhã estudávamos no ensino médio as disciplinas mais técnicas. À tarde, música, artes, línguas, cidadania. Cada dia era um dia novo de aprendizados da vida. Hoje, passados 57 anos minha personalidade ainda guarda vivos os ensinamentos daquele tempo de escola em horário integral. Foi uma influência positiva arrasadora!

Hoje a realidade é outra. O currículo das escolas integrais de Mato Grosso traz tecnologias novas, ferramentas novas, mas se propõe a ensinar também conhecimentos para a vida. Marrafon contou que no bairro Pedra 90, por exemplo, refém do Comando Vermelho, o ambiente mudou. Os jovens eram o alvo de matéria prima pro crime organizado. A escola muda essa paisagem humana e social.

O aluno custa mais caro, mas no futuro esse custo será compensado na redução dos custos com a saúde, com a  violência, com a criminalidade, com a segurança e com o sistema prisional. Sem contar que a auto-estima da população vem junto de uma juventude educada. O jovem na atualidade tem um poder imenso formador de opinião dentro da sociedade geral e na comunidade onde vive.

Penso que a educação integral poderia se transformar numa meta estratégica das próximas gestões de governo.

Encerro este artigo confessando que a entrevista sobre a escola em tempo integral com o secretário Marrafon foi uma das informações mais animadoras que recebi nos últimos tempos.