Duplicação de Rondonópolis a Cuiabá independe de BNDES ou Odebrecht
Fullbanner1



Duplicação de Rondonópolis a Cuiabá independe de BNDES ou Odebrecht

Fonte:
SHARE
Foto - TVCA

Apesar do assunto já ser conhecido de boa parte das pessoas que têm informação mais profunda sobre o contrato de concessão dos 850 quilômetros da BR 163, que cortam todo o estado de Mato Grosso, entre o Governo Federal e a empresa Odebrecht/Rota do Oeste, o Departamento Nacional de Infraestrutura – DNIT é o grande responsável para que um dos trechos mais perigosos e fatais do trajeto seja totalmente duplicado – os cerca de 220 quilômetros entre Rondonópolis e Cuiabá. Por este fato, os problemas envolvendo diretores da maior empreiteira do país com a justiça, ou mesmo com o Governo Federal, não são desculpas para a obra não sair.

Apesar disso, desde o início do tratado, em março de 2014, os trabalhos deliberados pela autarquia federal não conseguiram passar nem 70 do total de 175 quilômetros que faltavam, inicialmente, para que todo o percurso entre a maior cidade do interior e a capital esteja plenamente duplicado (o trecho da Serra de São Vicente já possui tal estrutura).  Se o ritmo de trabalho continuar o mesmo, o DNIT não deve cumprir o acordo de entregar o trecho finalizado em duplicação no prazo estipulado em contrato de cinco anos, o que se dará em março de 2019, ou seja, em menos de dois anos.

Enquanto a Rota do Oeste paralisou totalmente as obras de duplicação em seus 453 quilômetros de responsabilidade (já duplicou 117 – Rondonópolis até a divisa com Mato Grosso do Sul), em virtude da não liberação de recursos via Banco Nacional do Desenvolvimento – BNDES, em financiamento acordado inclusive em contrato, diretores do DNIT disseram na última entrega de um trecho, cerca de 15 quilômetros, próximos a Jaciara, em novembro de 2016, que o único empecilho era a chuva e que o trabalho retornaria forte em 2017.

Para o rondonopolitano, que já viu inúmeras fatalidades na conhecida “rodovia da morte”, envolvendo conhecidos, amigos e familiares, durante todos estes anos de sonho pela duplicação até a capital, o que mais apavora nem é a falta do ritmo necessário de trabalho para o cumprimento do prazo por parte do DNIT, mas sim o próprio DNIT estar envolvido. A autarquia esteve presente em um outro contrato que causa arrepios na população local, só de lembrar. O objetivo de um tratado com a Prefeitura de Rondonópolis era a construção da famigerada travessia urbana em 13 quilômetros na mesma BR 163/364. Mais de R$ 54 milhões de convênio chegaram, cerca de R$ 30 milhões foram gastos, falhas técnicas e erros gravíssimos, que chegaram a custar a retirada do “asfalto” instalado, embargaram a obra e outros R$ 12 milhões foram devolvidos ao DNIT.

Ainda sobre a travessia, chegou-se a aventar a possibilidade da própria Rota do Oeste assumir o serviço, como também tentou-se, após um ano do contrato de concessão de toda a 163, tirar a responsabilidade inicial do DNIT de duplicar de Rondonópolis a Cuiabá e passar à Concessionária, mas a empresa fez valer sua condição. A verdade é que o Departamento Nacional de Infraestrutura precisa construir, além da duplicação, uma nova relação de confiança e credibilidade com a população.