Desarticulada organização criminosa responsável por 60% dos roubos de veículos na Grande...
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Desarticulada organização criminosa responsável por 60% dos roubos de veículos na Grande Cuiabá

Fonte: Assessoria
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A Polícia Judiciária Civil desvendou uma rede criminosa responsável por crimes patrimoniais de roubos, furtos, receptação e adulteração de veículos em Mato Grosso. A organização é responsável por 60% dessas ocorrências nos últimos três meses nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande. A operação “Ares Vermelho” foi desenvolvida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos Automotores (Derrfva) e a Diretoria de Inteligência.

A operação foi desencadeada na manhã desta quinta-feira (17.08) para o cumprimento 125 ordens judiciais, sendo 51 mandados de prisão preventiva, 12 conduções coercitivas e 62 buscas e apreensão domiciliar, nos Estados de Mato Grosso, Pará, Rondônia e Mato Grosso do Sul. O balanço da operação foi apresentado pelos delegados coordenadores da operação,

Também foram apreendidos quatro veículos, 113 tabletes de maconha, armas e munições. Fora do Estado de Mato Grosso, a operação cumpriu cinco mandados de prisão e cinco buscas em Campo Grande, uma condução coercitiva em Novo Progresso, no Pará, cinco prisões preventivas e cinco buscas em Rondônia.

“É uma ação que ocorreu não apenas em Mato Grosso, mas também em outros três estados. Isso demonstra que os nossos profissionais estão preparados para combater as organizações criminosas. Essas ações qualificadas da Polícia Civil serão intensificadas cada vez mais. Tenho convicção que a integração das forças e as ações qualificadas levarão mais sensação de segurança às pessoas, diminuindo não só o furto e o roubo de veículos, o estelionato e o tráfico de drogas, mas também os homicídios e os latrocínios”, disse o secretário de Segurança Rogers Jarbas.

Os mandados foram cumpridos por 200 policiais civis distribuídos em bairros de Cuiabá e Várzea Grande, além das cidades do interior (Barra do Garças, Jaciara, Nova Olímpia, Chapada do Guimarães, Sinop, Rondonópolis) e nos Estados de Mato Grosso do Sul, Pará e Rondônia.

O grupo criminoso era liderado pelos detentos Luciano Mariano da Silva, Robson José Ferreira de Araújo, (que também usa nome de Marcelo Barbosa do Nascimento), Edmar Ormeneze, e Wagner da Silva Moura, todos presos na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, e integrantes de uma facção criminosa.

Associados a outros criminosos, eles praticaram diversos crimes subsequentes relacionados a veículos, como clonagens, falsificação de documentos, estelionatos e lavagem de dinheiro.

“A investigação demonstra que se trata de organização criminosa integrada por vários indivíduos. Até o momento foram identificados mais de 70 pessoas envolvidas e com relação direta e indireta na prática de crimes, com funções bem definidas, imprescindíveis à organização criminosa, sendo que várias foram identificadas, mas ainda restam identificar muitas delas”, disse o delegado adjunto da Derrfva, Marcelo Martins Torhacs.

Segundo a investigação, a estrutura montada pela organização é altamente sofisticada, com divisão elaborada no setor financeiro, chegando a manter uma espécie de “caixinha” ou reserva financeira para fomentar o crime nacional e fazer alianças com outras facções criminosas, além da lavagem do dinheiro adquirido nos crimes patrimoniais de veículos.

Na apuração, que durou três meses, os policiais desvendaram que no topo da organização está a alta gerência e abaixo suas subdivisões em agentes operacionais, gestores de recursos humanos (aliciadores de criminosos e simpatizantes), negociadores internacionais (que trocam veículos por entorpecentes oriundos da Bolívia e Paraguai).

“Formavam uma empresa do mundo do crime. Havia hierarquia, cobrança de tarefas e produtividades, sempre visando a obtenção de lucros. No curto período da investigação identificamos lucro de R$ 1,2 milhão na comercialização e troca de veículos por drogas e também identificamos que essa quadrilha era responsável por 60% dos roubos ocorridos na região metropolitana”, explicou o delegado titular da Especializada, Vitor Hugo Bruzulato Teixeira.

Diante da sofisticação do grupo criminoso, com atuação em diversas frentes do crime organizado, a Polícia Civil, além das ferramentas convencionais de inteligência, utilizou pela primeira vez uma inovação tecnológica: a infiltração digital, para o acompanhamento controlado das ações criminosas em grupos nas redes sociais, com o objetivo da produção de provas autorizadas pela Justiça. “Foi importante para obter todas as provas, bem como identificar todos os integrantes dessa organização criminosa”, afirmou Teixeira.

O trabalho também revelou a abrangência nacional da organização criminosa que promove alianças com facções dos Estados de Rondônia, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Amazonas.

Com o acompanhamento de 35 eventos por meio de ações controladas, a investigação efetuou a prisão em flagrante de nove criminosos durante o período da apuração, materializando o inquérito policial com provas dos crimes praticados e ainda prisão de criminosos em outros estados da federação. Também foram recuperados veículos (automóveis, caminhonetes e motos), além de apreensão de drogas e armas de fogo.

De acordo com a investigação, os criminosos Luciano Mariano da Silva, Robson José Pereira de Aráujo, Edmar Ormeneze, em nível de liderança da célula- criminosa especializada na subtração de veículos e suas trocas por drogas objetivavam capitalizar a facção de Mato Grosso.

Os criminosos cooptavam jovens para prática reiterada de crimes patrimoniais majorados de roubos de veículos, que eram descaraterizados com a substituição, geralmente, de placas, e falsificação de documentos, para venda no mercado interno. Também ficou evidenciada a prática de estelionatos e lavagem de dinheiro pelo reeducando Edmar Ormeneze, com a participação de familiares e outras pessoas aliciadas, utilizando contas bancárias para o cometimento dos crimes.

No pedido das medidas cautelares de prisão, busca e conduções coercitivas, os delegados também solicitaram o bloqueio  judicial de seis contas bancárias.  As ordens foram expedidas pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá – Vara do Crime Organizado. As autoridades policiais requisitaram também a transferência dos líderes da organização criminosa para unidades prisionais do interior ou fora do Estado.

Como agiam

Os crimes eram liderados pelas quatro principais membros da organização criminosa. Eles encomendavam veículos para comparsas do lado de fora, que executavam os roubos conforme a necessidade (modelo e cor) da organização. Assim, usando carros clonados promoviam rondas pela cidade, em grupos de três a quatro pessoas, para encontrar vítimas com veículos, de acordo com as características repassadas pelos líderes. Caso encontrassem a pessoa desatenta, embarcando ou desembarcando de seu veículo, rapidamente entravam em contato com seus “superiores” e mencionavam o que tinham à disposição. Se o comando criminoso se interessasse pelo veículo, promoviam o roubo.

Duas características facilitavam o roubo. A primeira, pela facilidade de tomar as chaves originais (possibilitando a ação de um criminoso sem conhecimentos específicos de mecânica/elétrica – ligação direta e outros necessários para o furto) e documentos do veículo e bens das vítimas. A segunda, o perfil das vítimas, que por estarem distraídas ou em momento de descontração, possibilitava a aproximação dos criminosos e uma abordagem armada sem maiores problemas.

“Realmente existe uma organização criminosa bastante articulada e os líderes estão dentro do Sistema Prisional. Eles orientam, aliciam e determinam a ação de jovens para prática de roubos e tráfico de drogas. Foi possível identificar esses líderes e segregar esses jovens que estavam praticando cerca de 60% dos roubos de veículos na capital mato-grossense”, finalizou o delegado Marcelo Martins Torhacs.

Golpes praticados

Golpe de compra/venda de veículos: Membros do grupo criminoso com maior habilidade de conversação são incumbidos de conversar diretamente com as vítimas, escolhidas dentre os anunciantes de veículos na internet (OLX, Webmotors, usado fácil e congêneres) e, normalmente, buscam por modelos de veículos de comercialização rápida e fácil.

Em um primeiro momento, o criminoso se passa por interessado na compra do veículo e sem muita conversa promove o fechamento do negócio. Ao mesmo tempo, negocia o mesmo veículo com algum garagista (vendedor de automóveis) por um preço abaixo do mercado, tornando sua proposta muito atrativa. Desta forma, promove uma venda rápida do veículo da vítima ao garagista.

Encerradas as negociações com as duas vítimas do golpe (proprietário do veículo e garagista), o criminoso simula depósito (normalmente envelope vazio) na conta do proprietário do veículo e solicita que este promova o reconhecimento da firma no recibo de compra e venda para o nome do garagista e entregue o veículo na revenda de automóveis. Em contrapartida, o garagista, acreditando que se trata de um negócio verdadeiro, faz depósito em uma conta bancária indicada pelo criminoso e recebe o veículo.

Tão logo os valores sejam percebidos na conta bancária indicada pelo criminoso, saques em dinheiro são realizados pelos comparsas (“boca do caixa”, autoatendimento, desconto de cheque, etc.) e os valores são divididos. Habitualmente, o titular da conta bancária fica com valores entre 20% e 40% do depositado pela vítima, pois sabem que suas contas sofrerão bloqueio judicial.

Golpe do Estorno – Além de fazer a vítima perder o veículo no golpe anteriormente explicado, eventualmente, os criminosos simulam mais de um depósito: um no valor combinado para o pagamento do veículo e outro em valor diferente. Para este segundo depósito, cria-se uma história, na qual o criminoso diz ter realizado o depósito equivocadamente e solicita à vitima que promova o estorno, levando-a mais uma vez a perder seu patrimônio.

Participação de populares

De acordo com os delegados, Vitor Hugo e Marcelo Martins, durante a investigação foi comum perceber a participação de inúmeras pessoas, a maioria sem passagem criminal, que ofereciam seus imóveis para locação, os quais seriam destinados a servir de esconderijo de veículos subtraídos ou, até mesmo, entorpecentes. Da mesma forma, o empréstimo de contas bancárias para movimentação de valores oriundos da criminalidade (golpes, “caixinha”, etc.), também era recorrente.

A “caixinha”, tipo de reserva financeira organizada, originada de depósitos de diversos criminosos de várias localidades para fomentar o crime nacional e promove a aliança entre a facção criminosa de Mato Grosso com facções de outros estados, principalmente, Rondônia, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Amazonas.

 

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