Desanimado com reeleição, Piana diz que em breve será difícil convencer alguém...
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Desanimado com reeleição, Piana diz que em breve será difícil convencer alguém a ser prefeito

Prefeito de Primavera do Leste expõe necessidade urgente de revisão do pacto federativo e fim das emendas parlamentares

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FOTO - NMT

Terminando o quarto mandato da sua carreira política como prefeito da rica Primavera do Leste, Érico Piana (DEM) concedeu entrevista exclusiva ao NMT, nesta segunda-feira (25), e deu a entender, pelo desânimo demonstrado com o seu atual cargo, que não vai tentar a reeleição, em outubro próximo. O negativismo do experiente político se dá por uma crítica recorrente de vários gestores municipais a dois fatos específicos: o engessamento administrativo em virtude da burocracia e sobretudo os poucos recursos que voltam às prefeituras para executar políticas públicas.

Com a experiência política de quem foi prefeito de Primavera nos anos 80, 90 e 2000, Piana garante que nunca foi tão difícil. “Esta análise é da esmagadora maioria entre os prefeitos. Vai haver uma mudança profunda de conceito nesta e nas próximas eleições. Em alguns municípios, vai ser difícil encontrar alguém que vai querer ser prefeito, devido as dificuldades e engessamentos que nos deparamos. A partir do momento que o cidadão tiver seu nome ventilado, mesmo que ele não tenha experiência, mas procurar se informar o tamanho do problema que tem pela frente, certamente vai refutar”, analisou o prefeito.

Indagado se tais problemas já teriam inviabilizado suas pretensões quanto a uma possível candidatura a reeleição, Piana se esquivou. “Tenho minha decisão pronta e dentro de poucos dias devo anunciar oficialmente. Farei isso no momento certo”, decretou. Questionado se o que embasou sua posição foram fatores pessoais ou políticos, o prefeito não fugiu da resposta. “É pessoal e independentemente de qualquer coisa minha posição já está formada, há mais de um ano”, disse, com ares evidentes de quem está atrás de sossego.

Apesar das dificuldades administrativas do dia a dia dos Municípios, Piana elogiou a maneira com que vem sendo tratada as campanhas eleitorais. “As campanhas vem inovando e para melhor. Hoje a fiscalização para o Caixa II está muito mais ativa. Eleições de dois em dois anos são muito desgastantes, então esta mudança agora de um período mais curto para a campanha é muito saudável. Além disso, a própria coibição do uso do poder econômico, dando um teto de gasto mais condizente com o momento atual, aos candidatos, tende a moralizar e melhorar muito este processo. Estou prevendo um maior equilíbrio entre os candidatos e um debate maior efetivamente entre ideias”, cravou.

Piana esclareceu que é a favor das medidas enérgicas tomadas pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas do Estado – TCE. Ressaltou, porém, que é urgentemente necessário dar mais condições orçamentárias às prefeituras. “Sou prefeito pelo quarto mandato, em dois anos mandatos presidente da Associação Mato-grossense de Municipios, e infelizmente não conseguimos reverter o tão propalado pacto federativo, em Brasília. É um contracenso nós arrecadarmos nos municípios, todo este montante ir para o Governo Federal e nós ficarmos aqui, aguardando só o retorno de uma fatia pequena. O Município não tem autonomia financeira para resolver as demandas populares, que estouram nas suas mãos porque é o Poder mais próximo do povo, no entanto, o que tem menos condição de resolver”, desabafa.

Érico também expôs descontentamento com o atual modo de trabalho dos senadores e deputados, que hoje focam muito mais suas funções fins na destinação de recursos, quando não foram eleitos para isso, em sua opinião. “Os congressista estão com desvios de função. Eles estão lá para legislar a favor do povo brasileiro, mas acabam objetivando mais seus trabalhos na mediação dos recursos entre a União ou Estado e os prefeitos que vão lá implorar por ajuda. Eles acabam virando meros liberadores de emendas e deviam ser muito mais que isso. Isto tem de acabar. O recurso tem que vir via um repasse maior, regularizado e pronto”, finalizou.

Da Redação

Montreal