Desafios da capacitação para adoção de novas tecnologias no campo: a “nova...
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Desafios da capacitação para adoção de novas tecnologias no campo: a “nova fronteira agrícola”

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O aumento da produtividade através da quebra de paradigmas, sempre foi uma marca do DNA da agricultura brasileira.

O termo “fronteira agrícola” é utilizado dentro do agronegócio para classificar uma nova área destinada para a produção agrícola. Sabemos que, atualmente, temos apenas cerca de 7% do território nacional sendo usado pela agricultura e esse panorama não irá aumentar na mesma proporção da demanda de alimentos no Mundo. A população irá saltar de 7,6 bilhões em 2017 para 9,5 bilhões em 2050. Por isso, a provocação do título “nova fronteira agrícola“, pois na mesma área cultivada o produtor rural deverá se reinventar em cada safra para aumentar a sua produtividade com redução das perdas e aumento da performance por talhão com adoção de novas tecnologias e com incremento no modelo de negócio.

A agricultura brasileira já deu um salto expressivo, tendo uma grande expansão da produção agrícola. A área plantada de grãos, mais que dobrou, passando de 27 milhões de hectares em 1970, para 59,2 milhões de hectares em 16/17. Já a produção neste período saltou de 29 milhões de toneladas para quase 213,1 milhões de toneladas. Consequência deste crescimento é a evolução do modelo de negócio rural, antes somente dentro da porteira, para grandes grupos econômicos da cadeia agroindustrial, agregando valor, antes, dentro e depois da porteira.

Já sabemos que manter esse crescimento só é possível através da adoção de tecnologia e o Brasil já é referência mundial em pesquisas, ciência e inovação para a agricultura. O relatório da EMBRAPA denominado “O futuro do desenvolvimento tecnológico da agricultura brasileira”, no qual se projeta as tecnologias na agricultura para o período de 2014 a 2034, reforça o importante papel da tecnologia para esse aumento de produtividade no campo. O relatório afirma que “na agricultura, as novas tecnologias vão estimular novas vertentes de agregação de valor e de fabricação, com grandes possibilidades de aumento de competitividade do setor agroindustrial”. Esse é um caminho sem volta, pois a utilização de tecnologia sustenta o aumento de produtividade.

Diante deste cenário os produtores precisam fazer uma importante reflexão: somente a aquisição de tecnologia não fará o trabalho sozinho. Um importante elemento precisa acompanhar essa evolução: o trabalhador. Surge então um novo paradigma para ser superado pelo agricultor, o da educação corporativa.

Por isso essa “nova fronteira agrícola” será a capacidade do produtor adequar e aplicar melhorias contínuas nos processos de integração da cadeia (relação entre o trabalhador, tecnologia e a sua tarefa de produção), quebrando assim mais esse paradigma.

Para sustentar esse crescimento do agronegócio as “empresas rurais” precisaram profissionalizar a sua gestão, viabilizando o seu crescimento organizacional e econômico. É vital para continuidade desse processo o investimento em educação continuada para a capacitar, adequar, atualizar e reciclar o quadro de funcionários para utilizarem da melhor forma possível o potencial destas tecnologias. O chamado T&D (treinamento e desenvolvimento) das áreas de desenvolvimento humano e organizacional (“vulgo” RH).

Em pesquisa realizada em 2016, organizada pela Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD) com o apoio da Association for Talent Development (ATD) o valor investido em média por trabalhador pelas grandes empresas no Brasil é de US$ 164,00, enquanto uma empresa nos EUA investe US$ 1.208,00. Isso reflete um impacto na aptidão e a orientação para o trabalho para o colaborador ter produtividade, visto que segundo dados da The Conference Board, órgão de pesquisa americano, em média a produtividade de um profissional americano equivale ao trabalho de 5 profissionais brasileiros. Deixo a seguinte reflexão: trabalhamos muito ou estamos trabalhando errado?

Está na hora das empresas brasileiras que sobrevivem da tecnologia, principalmente as do agronegócio, planejarem cronogramas de treinamentos em períodos de ociosidade (entressafras) aliando parcerias com SENAR, EMBRAPA e empresas que fornecem as tecnologias, e estimular o colaborador a se qualificar criando uma relação entre os treinamentos com as suas avaliações de desempenho e oportunidades de carreira (sejam elas premiações, benefícios, planos de carreiras e remuneração variáveis), para além de formar e reter esse talento, também impactar na produtividade. Essa fórmula já é seguida por grandes grupos econômicos, que consequentemente são os líderes de mercado (independente de recessão econômica), pois eles já sabem que o maior patrimônio de uma empresa é o capital humano.

Professor Adalberto Bião. Docente da UNIASSELVI, cofundador do Grupo AgroGente e proprietário da empresa de consultoria InteraGente.

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