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De renascido e renovado para o retorno ao triste lugar comum da política atual: eis o PSD de MT

Fonte: Da Redação
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Deputado estadual, Gilmar Fabris, preso nesta semana, ao lado do vice-governador, Carlos Fávaro. Foto - PSD

A chamada delação monstruosa do ex-governador corrupto de Mato Grosso e do PMDB, Silval Barbosa, bem como seus desdobramentos mais recentes, certamente mudou todos os ingredientes da política estadual e deve atingir em cheio os projetos partidários para as eleições 2018. Como bom exemplo disso está o PSD, que vinha sendo arquitetado dentro de um discurso de renovação no estado após ter passado tanto tempo nas mãos e na condução ilícita do ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso – ALMT, José Riva. Para personificar bem a “nova roupagem” vestida pela sigla, foi levado a condição de liderança estadual o jovem vice-governador, Carlos Fávaro, um homem de um largo sorriso e que vinha em uma empolgante e incansável atividade política. Nas últimas semanas e horas, porém, o lindo conto de fadas que ensaiava-se com a população começou a ganhar cara de filme de terror.

Fávaro, o símbolo do “novo PSD e que para muita gente dentro do partido estava se consolidando como um possível candidato ao Governo do Estado ou mesmo a senador, foi delatado por Silval como tendo sido autor, ainda enquanto liderança dos produtores rurais, de um esquema ilícito junto ao Governo do Estado, quando o PMDB o comandava. A manobra teria envolvido uma empresa mato-grossense, onde não só o atual vice-governador, mas também o ex-ministro da Agricultura e Pecuária, Neri Geller, nutre bom relacionamento com seus diretores. A proposta de fornecer incentivos fiscais de Mato Grosso a esta pessoa jurídica teria gerado o efeito de que a mesma repassasse o “mimo” de R$ 1 milhão a Geller e Fávaro, o que acabaria por quitar uma pendência de igual valor entre os dois. Recentemente, Fávaro negou o esquema, mas confirmou a dívida, que seria proveniente da campanha para deputado federal de Geller, em 2010. O vice-governador detalhou que a conta foi paga, na verdade, por meio de uma “colheitadeira”, mas ele não especificou, porém, como Silval sabia do débito.

Nesta semana,o que lá atrás, por volta do ano de 2015, já era a crítica de muitos recém-filiados do “novo PSD”, acabou se solidificando como mais uma grave “mancha” ao partido. O deputado estadual, Gilmar Fabris (PSD), remanescente do “velho PSD”, de Riva, teve prisão decretada e teve de se apresentar a Polícia Federal – PF, após o Supremo Tribunal Federal – STF entender que o político estava obstruindo a Justiça em meio a Operação Malebolge, que é um desmembramento da Ararath. O fato acaba por desgastar ainda mais a imagem do partido, já que embora seja um possível crime que cabe apenas a Fabris responder, respinga institucionalmente porque o político tinha condição de liderança. Não só dentro da Assembleia, mas até em falas na imprensa, por diversas vezes Gilmar adotava voz representativa dos sociais-democratas, inclusive opinando sobre melhores caminhos estratégicos para o futuro político da agremiação.

A permanência de nomes como Gilmar, bem como o também parlamentar, Zé Domingos (PSD), outro alvo do STF e da PF, e o espaço que os chamados políticos da “velha guarda” receberam no PSD de Fávaro, não são somente os únicos sintomas que o partido, no estado, não tem nada mais do que uma maquiagem e um mero discurso de renovação. A própria construção política, vislumbrando 2018, deixou claro que a nova safra de lideranças que estão surgindo e pedindo passagem em solo mato-grossense não terão espaço de destaque no partido. Maior prova disso talvez seja a necessária saída do promissor José Medeiros, atual senador da República, que teve de deixar a sigla por não ter encontrado nenhuma brecha para ter condições de sequer ser candidato no ano que vem.

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