Crítica do PT a Moro é ridícula, mas é o que restou...
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Crítica do PT a Moro é ridícula, mas é o que restou aos lulistas…

Fonte: Da Redação NMT
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Foto - AFP/Arquivos

“Toda carta de amor é ridícula, se não for ridícula não é uma carta de amor”. A citação do lendário escritor português, Fernando Pessoa, caberia como um luva se adequada aos discursos mais recentes do PT no debate político brasileiro. “Todo discurso do PT é ridículo, se não for ridículo não é um discurso do PT”, diria o mais atento comparador ao ver a conduta petista, replicada por toda esquerda, no antes e pró 28 de outubro. Fim das eleições e decretada a derrota petista, o alvo da vez é o juiz Sérgio Moro, que chefiava a Operação Lava Jato, em Curitiba, e que recebe constantemente prêmios mundo à fora pelo seu trabalho de combate à corrupção. Ao aceitar o convite de Bolsonaro a compor seu time no ano que vem como ministro da Justiça, o quase ex-magistrado tem sido levado, na boca das viúvas de Lula, ao lugar comum da política, onde estão todos seus corruptos preferidos. Na verdade, como não estão conseguindo criticar muito as escolhas de Bolsonaro até agora para seus ministérios, o caminho é novamente criar fakenews, como tentou-se com a mentirosa indicação do deputado federal, Alberto Fraga (DEM-DF), ao futuro governo, ou então a tentativa de desqualificar a índole e a moralidade de Moro.

Moro foi simplesmente um juiz, fez um bom trabalho e condenou quem tinha de ser condenado. Se no meio deles existia um político, demérito do mesmo por ter virado réu e não do magistrado que estava ali para cumprir seu trabalho. Se a prisão do Lula atrapalhou os planos eleitorais do PT, a crítica da militância vermelha deve ser canalizada a Lula, ou então é como o marido que queima o sofá, local onde pegou a esposa lhe traindo, e a absolve de culpa. Isso beira a esquizofrenia. Moro tem todo direito de ser convidado e de aceitar, sobretudo porque não há nada de ilegal e sequer de imoral nisso. De nenhuma ótica sã que se observe é possível criticar alguém que fez bem seu dever, foi reconhecido por isso no mundo todo e corajosamente renuncia a um cargo público efetivo, sonhado pela maioria dos estudantes do Direito, para entrar no ambiente hostil e incerto da política. Mas eles insistem porque a tal “resistência” na verdade chama-se terceiro turno.

Márcio Thomaz Bastos, que ocupou com Lula o cargo de ministro da Justiça, era advogado pessoal do próprio e de diversos enrolados inclusive com a Operação Lava Jato. Ele teria intermediado o pagamento a membros do Superior Tribunal de Justiça – STJ para livrar o pescoço de corruptos e ganhar o apoio de gente influente ali dentro para um futuro ingresso no Supremo Tribunal Federal – STF, segundo delação do também ex-ministro do PT, Antônio Palocci. Muitos petistas, que agora criticam Moro, dizem que Thomaz Bastos foi um dos melhores ministros da Justiça que o Brasil teve. José Eduardo Cardozo, também ex-ministro da Justiça e ex-advogado geral da União, defendia muito mais as causas pessoais de Dilma Rousseff (PT) que os interesses da União e também é unanimidade na memória petista. Muitos já criticam, de antemão, o possível ingresso de Moro no Supremo Tribunal Federal – STF com a aposentadoria de Celso de Mello, que ocorrerá em 2020. A impossibilidade de Moro ser um dos membros da mais nobre corte do país para os petistas é pela sua “parcialidade”. O absurdo da crítica se dá quando na observância dos ministros atuais se vê no currículo de Dias Tofolli os vários anos que advogou para o PT, o que aí sim é comprovadamente partidário, e nunca ninguém achou que ele não teria legitimidade para ocupar o cargo por isso.

É de dar dó, mas por outro lado é bem aceitável o desespero. Um bom governo de Bolsonaro, para o nordeste e o Brasil aplaudirem, pode significar simplesmente o desaparecimento do PT como força política de elite no país. Atrapalha-lo desde o início de sua gestão então não é nada pessoal, mas condição de sobrevivência.