Com rio Iriri contaminado, tribos indígenas não podem mais pescar
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Com rio Iriri contaminado, tribos indígenas não podem mais pescar

Fonte: Thiago Mattar
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Peixes mortos no rio Iriri. Foto: internet.

Há mais de um mês, a mortalidade dos peixes na bacia hidrográfica do rio Iriri vem sendo investigada pelo Laboratório de Ictiologia da Amazônia Meridional, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), no campus de Alta Floresta. Segundo o Ibama, que acompanha a análise e segue monitorando a região, a recolhida de amostras teria ocorrido em 20 de julho.

Ainda de acordo com o Ibama, uma nova vistoria realizada nos dias 4 e 5 de agosto indicava preliminarmente a proliferação de cianobactérias, microrganismos que podem ter origens diversas. Dos principais fatores para a proliferação acelerada das cianobactérias podem ser destacadas a abundância de material orgânico em decomposição presente no rio ou a contaminação por excesso de agrotóxicos, hipótese que chegou a ser levantada por reportagem da Folha de São Paulo.

Atualmente, tribos indígenas da etnia panará e os caiapós das comunidades Kororoti e Omeikrankun são os principais afetados pela contaminação que impediu a pesca e modificou o cotidiano dos indígenas, que agora precisam reforçar o roçado e buscar outras maneiras de conseguir proteína.

De acordo com o chefe do Serviço de Gestão Ambiental e Territorial (Segat) da Funai em Colíder, Henrique Klocker de Camargo, os indígenas receberam cestas básicas e auxílio para o plantio. “A gente ainda não tem uma sentença final do que ocorreu ali. Também não há notícia de que tenha se espalhado a contaminação. Nosso trabalho é auxiliar essas comunidades, oferecendo água para quem não tem poço artesiano, comida e, enquanto isso, saber o que foi que aconteceu”, disse.

Procurada pela reportagem, a professora responsável pelo laboratório da Unemat, Drª Solange Arrolho, não foi encontrada para comentar a análise das amostras. Quando questionado, um funcionário da instituição informou que os professores ainda estão em período de férias.

O representante da Funai sugere que o atraso seja pela falta de estrutura do laboratório de Alta Floresta. E que possivelmente as amostras tenham sido enviadas para outro laboratório brasileiro.

Em relação aos indígenas, a probabilidade é que com a chegada do período de chuvas diminuam as chances da contaminação se espalhar e desaguar no rio Xingu, onde vivem outras comunidades que também dependem da pesca.

Montreal