Com R$ 707 mil à disposição e histórico na saúde, Marildes decepciona...
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Com R$ 707 mil à disposição e histórico na saúde, Marildes decepciona PSB

Fonte: Da Redação NMT
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Avaliação positiva sobre resultado de Marildes nas eleições 2018 precisa de análise mais aprofundada. Foto - Assessoria

Existem muitos analistas de plantão avaliando positivamente a votação da ex-secretária de saúde de Rondonópolis, Marildes Ferreira (PSB), que totalizou 25.730 votos na busca da vaga de deputada federal, em 2018, dos quais 19.194 foram conseguidos na maior cidade do interior. Mas ao verificar o quanto Marildes teve para gastar no pleito, principalmente no contexto de ser uma novata e estar livre da mancha de já  ter ocupado um cargo público eletivo, os mais de 25 mil votos podem não ter sido tão relevantes assim. Muita gente dentro do partido da candidata, inclusive, aguardava uma margem muito maior e que a credenciasse, efetivamente, como uma possível candidata a prefeita em 2020.

Com a leveza de alguém que buscava a primeira eleição e com o histórico de ter chefiado um setor da Administração Pública Municipal altamente visado, do ponto de vista político, que é a saúde, em um momento em que o então prefeito, Percival Muniz (PDT) (2013 a 2016), despejava o orçamento local, como poucas vezes se viu, em uma só secretaria, a verdade é que Marildes tinha a natural perspectiva de passar, no mínimo, dos 30 mil votos e naufragou. A construção que a mesma fez, nos últimos anos, como uma das mais ativas figuras do Consórcio Regional de Saúde e a maneira política, popular e personificada que conduzia seus trabalhos permitia esse horizonte.

Todo o orçamento destinado à pasta que comandava não virou trunfos eleitorais ao ex-prefeito, tanto que o mesmo não conseguiu se reeleger em 2016, e todo o mérito possível do alto investimento no setor canalizou em Marildes, que conseguiu construir a imagem de uma secretária acessível e que importava, de fato, com as pessoas. A arrecadação de exatos R$ 707.500,00 para trabalhar a campanha neste ano, vindos principalmente dos diretórios nacional e estadual do PSB, por força de obrigatoriedade de repasse para a cota feminina de candidatos, criou à candidata a deputado federal, que há pouco passou ainda pelo Procon, uma espera natural de 40 até 50 mil votos possíveis, segundo gente do partido ouvida pelo NMT.

A verdade é que se existir uma planilha de resultados comparativos no “custo-benefício” alguém que faz poucos mais de 25 mil votos, com 707.500,00 disponíveis para trabalhar e sem desgastes acentuados, não foi tão bem assim.  Cada voto de Marildes pode ter “custado” por volta de R$ 27,50. Para ser bem justo na análise com Marildes, deixando de comparar seus votos e recursos disponíveis como Nelson Barbudo (PSL), o mais votado, ou Rosa Neide (PT), única mulher eleita entre os federais, em virtude da grande militância ideológica voluntária que ambos contavam, é cabível, porém, um paralelo com Gisela Simona (PROS), que assim como Marildes tem o Procon no currículo.

Com pouco menos de R$ 245 mil para executar toda sua campanha para deputada federal, cerca de 29% do valor que Marildes contava, Gisela alcançou a primeira suplência com praticamente o dobro de votos de Marildes, chegando a pouco mais de 50 mil. Cada voto de Gisela acabou custando, em média, cinco vezes menos que a candidata de Rondonópolis e em um cenário regional, embora mais numeroso em eleitores, extremamente mais concorrido, já que a Simona tem como base principal Cuiabá a Várzea Grande, onde estavam maior parte dos candidatos do estado. Além disso, por outra ótica, Marildes trabalhou em toda região sul, o que praticamente iguala quantitativamente o público alvo.