Com promoção de filho, Mourão demonstra porque queria tanto a intervenção
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Com promoção de filho, Mourão demonstra porque queria tanto a intervenção

Fonte: Da Redação NMT
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Mourão não aceitará ser vice decorativo de Bolsonaro e está mostrando isso na prática. Foto - Adriano Machado/ Reuters/Reuters

O regime militar que começou em abril de 1964 e terminou em 15 de março de 1985 no Brasil deixou marcas na história que jamais se apagarão. O que muitos classificam por uma ditadura de perseguição aos que não se curvavam as vontades dos oficiais, vários “rebeldes” desaparecidos até hoje e censuras ao livre pensamento, deixou também muitos reflexos na máquina pública, no que tange ao seu custo, mesmo após os militares não mais a comandá-la diretamente.

Segundo matéria publicada em 2018 pelo Jornal O Globo, ’embora a pensão às filhas de militares mortos tenha sido extinta em 2000, estima-se que, até 2060, mulheres — muitas delas casadas e em idade produtiva — continuem recebendo o benefício. A partir de dados fornecidos pelo Exército, é possível estimar que a despesa anual continuará próxima a R$ 4 bilhões daqui quatro décadas. Para assegurar a regalia, o militar que já estava nas forças armadas na época da abolição do benefício tem, unicamente, de pagar uma contribuição previdenciária de 1,5% a mais’.

A mesma matéria diz que os custos da União com os militares podem ser ‘ainda maiores, uma vez que as  Forças Armadas  ainda resistem em apresentar dados detalhados sobre as despesas’. Mas se privilégios especiais deste tipo não foram mudados com a saída dos militares do ordenamento maior de despesas, ou seja, do comando maior da caneta, como será agora com o capitão da reserva, Jair Bolsonaro (PSL), que nunca se furtou a defender declaradamente benefícios únicos a membros e aposentados da Marinha, Aeronáutica e Exército, bem como seus filhos?

A resposta já começou a ser dada nesta semana, com a promoção de Antonio Hamilton Rossell Mourão, filho do vice-presidente Hamilton Mourão, para a condição de assessor especial do novo presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, segundo publicou o site ‘O Antagonista’. O novo cargo do filho de Mourão, que é servidor de carreira e era um dos tantos assessores empresariais do BB, lhe fará saltar de R$ 12 mil para R$ 36 mil a cada 30 dias em rendimentos pessoais.

A verdade é que o substituto imediato de Bolsonaro é a personificação, para muitos, da maioria dos militares de alta patente no país, que seriam homens e mulheres que realmente acreditam que algum tipo de divindade os envolve. Mourão, aliás, ficou famoso junto ao grande público ao ameaçar a possibilidade de nova intervenção militar no país, em 2017, levando ao delírio milhões de jovens chamados “intervencionistas”, que sequer sabem direito o que defendem. Em uma palestra, Mourão cravou que “ou as instituições solucionam o problema político (sic), pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós (militares) teremos que impor isso”, esbravejou, sendo repreendido posteriormente pelo próprio comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas.

Interessante a simbologia de alguém que mostra-se ser tão severo em relação e em proteção aos interesses nacionais, no caso especificamente os recursos financeiros da nação, mas que não tem a mínima decência de sequer disfarçar a imoralidade de usar sua nova influência para, em menos de 10 dias de governo, crescer em R$ 24 mil o salário do próprio filho na instituição financeira onde o Governo Federal possui 54% do controle. Para quem não viveu a ditadura e acha que naquela época ninguém crescia o olho no dinheiro de todos, Mourão deu uma amostra prática que pode não ter sido bem assim como os românticos contam…