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, em 18.05.18.

Boa noite a todos
Estamos aqui reunidos para o lançamento do livro “Coisas que vi, vivi e ouvi”, do jornalista Lucas Perrone.

Tenho a oportunidade de trabalhar com o Lucas Perrone em algumas frentes de serviço, e a cada dia participo de aulas memoráveis de todas as formas, desde vê-lo produzir três matérias distintas, numa sentada, como a sua coerência com o que faz, bem como ouvir suas belas histórias do jornalismo e política, algumas que ainda não podem ser contadas a público.

Ouvi essas crônicas que agora são publicadas, por diversas vezes pela própria boca do autor, e por dever de ofício, uma vez que sou seu produtor cultural nesta obra, li várias vezes cada uma dessas crônicas e sentia a cada dia a necessidade de colocá-las a público.

O meu amigo bugrino, escritor e professor de jornalismo da PUC, por mais de 30, Luiz Roberto Saviani Rey, no seu livro “A crônica é jornalística e brasileira – e não se fala mais nisso!” –, traduz a diferenciação entre crônica e conto e busca valorizar essas modalidades de textos na contemporaneidade, em que, a cada dia, a leitura parece ser resgatada, paradoxalmente ao império e ao domínio das novas tecnologias, avalia a complexidade dessas produções literárias, destacando as qualidades que o escritor deve deter para sua fixação no campo das artes.

Saviani diz que muitas pessoas acham que escrever é algo simples e que qualquer um, dispondo de conceitos e de pensamentos, consegue deitar textos no papel, sem maiores consequências. Não é bem assim. Escrever é algo complexo, pois não estamos falando apenas de um ato mecânico, funcional, no sentido de alinhavar frases e conteúdos de forma aleatória, em descrições e narrações simples, despidas de um olhar profundo, respaldado por um vocabulário rico, elegante, convincente e criativo, que advém de mentes privilegiadas, capazes de sentir, de perceber o universo à sua volta.

A arte literária é um dom divino e Lucas foi agraciado com ele.

Agradecemos a todos presentes e aos que ajudaram na produção da obra, em especial as empresas: Asscon-Assessoria Contábil, Jair Matias Cabeleireiros, Mais-Sistema de Ensino, Roberto Restaurante e Rondoletras-Comunicação Visual.

Ousadamente fui o responsável pela revisão do livro, e sei que não é a ideal, mas foi feito com muito zelo, e também sei que ficarão algumas falhas e essas “falha nossa” recai sobre mim de forma direta. Aceitem antecipadamente minhas desculpas.

Tive que retirar a indicação do Lucas Perrone para a Academia Rondonopolitana de Letras, a seu pedido, pois textualmente preenchia os requisitos mínimos, quando abertas as vagas de 2017, mas quem sabe logo o teremos como confrade e imortal, pois é merecida sua inclusão!
Disse ao professor, e agora também escritor Lucas Perrone, que o livro “Coisas que vi, vivi e ouvi” nasce forte como um bom rebento, e que foi muito bom produzir a obra, pois será um sucesso, que comece a juntar os textos que não foram inclusos aqui, e que também produza novos textos, pois o momento para isso é aurífero. Sinto nascer um cronista dos bons, textos belos e gostosos de serem lidos. Quem sabe está nascendo um novo Euclides da Cunha!

Parabéns Lucas Perrone!

Tenho dito!

Obra: a urbe.

Local: Rondonópolis.

Fotógrafo: Cesar Augusto.

Obra de: Nilson Machado

Acervo: Rondoletras.

 

Obra: a enxurrada é violenta.

Local: periferia.

Fotógrafo: Cesar Augusto.

Em visita a Construtora Tripolo deparei-me com essas belas obras de arte!

Rondonópolis e o advento da UFR

Foto: Dnei Matos.

A Universidade Federal de Rondonópolis – UFR será mais um marco na linha do tempo da história da nossa querida Rondonópolis, pois com a sua inauguração iniciar-se-á um novo tempo, uma vez que o desmembramento de Cuiabá será sentido, haja vista que as decisões que nortearam o crescimento da Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT, por aqui, dependiam do crivo da capital. Agora não, teremos aqui a emissão da chancela para os avanços.

Convivi com profissionais da Unicamp e da PUC-Campinas nas mais diversas ações e citarei duas situações muito importantes, numa delas a parceria da Associação dos Amigos do Museu de Imagem e Som de Campinas, da qual era membro, da Prefeitura de Campinas, com o Diretor da Escola de Artes Visuais da PUC, Flávio Shimoda para a realização de diversos eventos culturais, voltados àquela arte, e, a publicação do livro “Artes Integradas – Campinas – São Paulo – Brasil”, em coautoria com a professora da Unicamp Renata Sunega, quando envolvemos diversos organismos públicos, como a própria instituição, tanto na publicação de uma imagem área produzida pelo famoso fotógrafo Carlos Bassan, como num texto cedido pelo ex-reitor José de Aristodemo Pinoti, ou seja, posso afirmar com todas as letras que as instituições foram importantes organismos que elevaram a cultura no seu entorno, sem uma ação direta, apenas com o nome, que por si já é muito importante a sua agregação a qualquer evento. Imaginemos o tanto que elas fizeram, fazem e farão.

Penso, que os sinais de vida humana desde 5.000 anos no sítio arqueológico Ferraz Egreja, no município de Rondonópolis, são os registros dos primeiros eventos por aqui, talvez até culturais, com adventos normais dos cotidianos daqueles povos, que com toda certeza já detinham as artes visuais como um dos segmentos do labor cultural, ou diversão. Quando, no final do século XIX constatou-se a presença de índios Bororo, nas nossas terras, ou suas terras, posso afirmar que desenvolviam suas habilidades na dança, pesca e a convivência, que são meios de se fazer o saber. Vieram os anos 1875 a 1890, com a instalação do destacamento militar em Ponte de Pedra, e comitivas de migrantes a procura do ouro e de pedras preciosas, agora sim efervesceu-se tanto a nossa comunidade, que em 1902 formou-se o “Povoado do Rio Vermelho”. Não muito distante dessa última data, mas precisamente nos anos 1907 a 1909, aconteceu aqui a implantação da Comissão Construtora das Linhas Telegráficas, comandada por Cândido Rondon, com seu positivismo, e não muito longe depois, em 1915, a nossa população girava em torno de 70 famílias.

No dia 10 de agosto de 1915 foi promulgado o Decreto Lei nº 395 que estabelecia uma reserva de 2.000 hectares para o patrimônio da povoação do Rio Vermelho, por Joaquim da Costa Marques, presidente de Estado do Mato Grosso, cargo de governador à época, sendo que três anos depois (1918) conclui-se o projeto de urbanização da cidade, pelo militar urbanista Otávio Pitaluga, que foi responsável pela mudança do nome do povoado para Rondonópolis, em homenagem a Cândido Mariano da Silva Rondon, num belo reconhecimento. Era o ano de 1920, quando a cidade passou a ser distrito de Santo Antônio de Leverger. No início da década de 1920 a cidade passou por problemas de enchentes, epidemias e desentendimento entre os moradores. A inauguração do posto telegráfico foi em 1922, e em 1924 foi época da descoberta dos garimpos de diamantes na região de Poxoréu, onde perdemos levas de moradores para aquela comunidade.

Poxoréu foi elevada a município e Rondonópolis tornou-se distrito daquela próspera cidade, em 1938. Rondonópolis ficou despovoada no período de 1930 a 1947, quando retomou seu rumo, como fronteira agrícola mato-grossense. Foi em 1948, que Domingos de Lima usou o projeto de Otávio Pitaluga para traçar o quadrilátero central da cidade.

Dia 10 de dezembro de 1953 foi emancipada politicamente, sendo nomeado prefeito o senhor Rosalvo Fernandes Farias, e na sua sucessão foi eleito Daniel Martins de Moura. Na década de 1950 até 1960 o crescimento econômico foi através do campo, quando ocorreu um período de migração de mato-grossenses, nordestinos, paulistas, mineiros, japoneses e libaneses.

Já na década de 1970, com a modernização do campo, a descoberta da possibilidade de plantações da soja, demandas importantes da pecuária e do comércio aconteceu grande migração de sulistas. Na década seguinte a cidade foi classificada como o segundo município do estado em importância econômica, demográfica e urbana. Na década de 1990 tornou-se “A Capital Nacional do Agronegócio”.

Era o dia 13 de maio de 1975, quando se regulamentou o Brasão de Armas e da Bandeira do Município de Rondonópolis, que são de autoria do professor Arcionoe Antônio Peixoto de Faria, pela lei municipal 426. Vale ressaltar que no brasão tem dois ramos de algodão e de arroz, para lembrarmos o nosso passado, também rico. No ano de 1976 recebemos o Câmpus de Rondonópolis da UFMT, que formou inúmeras turmas até então.

A regulamentação da data de fundação de Rondonópolis, para 10 de agosto de 1915, pela Lei Municipal 2.777 de 22 de outubro de 1997, considera oficialmente como o aniversário da cidade.

Uma bela tarde de 22 de março de 2000 foi inaugurado o novo estádio “Engenheiro Luthero Lopes”, com capacidade para 19.000 pessoas. O primeiro gol foi de Ronaldinho Gaúcho (Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense) e, no dia 02 de abril de 2000, o jogador Zumbi faz o primeiro gol por Rondonópolis, contra o Berga de Cuiabá. A instituição do hino do município aconteceu em 2003, através do decreto nº 3.764 de 09 de dezembro de 2003, que tem a música de Aires José Pereira e Elias da Silva, poema de Aires José Pereira, Elias da Silva e Sebastião Assis de Carvalho.

A presidenta Dilma Rousseff, inaugurou o terminal ferroviário em 19 de setembro 2013. Três anos depois (10.3.2017) cai o pé de Ipê-amarelo, parte do conjunto da Praça Brasil, que forma uma das sete maravilhas da cidade, derrubado pelo vento forte.

Agora, em 2018 Rondonópolis ganhou sua universidade, independente, sem cordão umbilical, com apoio de toda a sociedade. Novos rumos haveremos de tomar. A esperança aumenta para nossos filhos ter a oportunidade do conhecimento, ainda mais rico, próximo, palpável. Sim, a esperança, ainda há, há esperança, para frutificar bons profissionais e orgulharmos das suas vitórias nesse mundo tão desigual.

Hermélio Silva

Rondonopolitano – 11.4.18.

Obra: Um dia na labuta.

Local: Zona rural.

Fotógrafo: Cesar Augusto.

 

Rezar e pesar

 

A vela acesa

ilumina.

A cera derrete

em camada fina.

 

Vela,

a luz morreu.

Acabou o pavio.

Escureceu.

 

Hora de orar,

fazer discurso,

rezar e pesar,

último recurso.

 

Às velas,

e aos ventos

canto os cânticos,

dos meus sentimentos.

 

Renasce elétrica

a potente vela.

Faiscante,

nova janela.

 

24.3.18.

Obra: O preço do progresso.

Local: Região da Grande Vila Rica.

Fotógrafo: Cesar Augusto.