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Exercito, pulo

 

Um bichinho de estimação,

ou ornamento,

encantado no aquário,

findando o provimento.

 

A bio,

da pirataria e diversidade,

do agro e medicinal.

Refreiam a idade!?

 

No zoo

vendem o meu bem-estar,

com ingresso de visitação.

Livre e preso a expiar.

 

Até bato asas,

exercito, pulo.

Gaiola sem porta,

sem escrúpulo.

 

Um mundinho,

onde digo amém.

Tolhido e encolhido.

Chamam-me de homem.

 

10.11.18.

 

Imagem da semana

Obra: Jabuti.

Local: Ponte da Marechal Rondon – Rondonópolis-MT.

Fotógrafo: Cesar Augusto.

 

O que não mais existirá no céu

Por Samara Silva

No céu não haverá mais câncer, não haverá mais divórcio, não haverá mais rejeição, não haverá mais solidão, não haverá mais depressão, não haverá mais cadeira de rodas, não haverá mais marca-passo, não haverá mais homens-bomba, não haverá mais tiros na escola, não haverá mais ansiedade, não haverá mais medicação para ansiedade, não mais no meio da noite telefonemas, não mais cruzes do lado da estrada, não mais abuso infantil, não mais separações, não mais estupro, não mais tosses e resfriados, não mais vacinas contra a gripe, não mais acne, não mais caixões, não mais radiação ou quimioterapia, não mais o odor de corpo, não mais desodorante, não mais manchas de desodorante, não mais barbear ou depilação, não mais gritos ou brigas, sem mais tráfico ou vício, não mais hormônios, sem dietas mais, não mais acidentes, não mais mexericos, sem mais momentos embaraçosos, sem mais concussões, sem mais agulhas, sem mais impostos, sem mais radiação, sem mais mecânica, sem mais médicos, sem mais dentistas, sem mais advogados, sem mais cirurgiões plásticos, sem mais políticos ou anúncios políticos, não há mais eleições, não há mais funerais, não há mais orfanatos, não haverá mais casas de repouso, salas de espera, sem mais hospitais, sem mais centros de tratamento, sem mais salas de tribunal, sem mais documentos de divórcio, sem mais avisos de encerramento, sem ultrassons, sem emoção ou pequenos caixões, sem mais lágrimas, sem mais tristeza, não haverá mais dor.

NOSTALGIA

Autor: Rinaldo Cardoso Meira

 

Às vezes em meu deleito,

Como num suspiro derradeiro,

Sem pestanejar,

Centelhas de um caminheiro

Explode em meu peito

Em emoções a circular.

 

Momentos ligeiros,

Dor não sofrida!

Como um boêmio num boteco fuleiro

Duas ou três doses da pior cerveja

Já maquina o tempo da vida,

Onde quer que eu esteja.

 

Ah, doce lembrança idealizada!

Sem a escolha do dia

Suspiro nesse momento de nostalgia.

 

Vivi? Que nada!

Importa? Não, também!

Mas, isso me faz tão bem!

Imagem da semana

Obra: Bike show no 7 de Setembro.

Local: Centro da cidade de Rondonópolis.

Fotógrafo: Cesar Augusto.

Imagem da semana

Obra: Insensibilidade.

Local: Rondonópolis.

Fotógrafo: Cesar Augusto.

Imagem da semana

Obra: Guardador de carros.

Local: Centro da cidade de Rondonópolis.

Fotógrafo: Cesar Augusto.

 

Autor: Rinaldo Cardoso Meira

 

Quando menos se espera,

A força do destino,

Com a leveza de um menino,

Nossos sonhos supera.

 

Digo não,

Mórbida responsabilidade.

Desacorrentado e sem maldade,

Liberto o coração.

 

Antes que raia o dia,

Como um veraneio,

Permito em meu devaneio

Uma doce ousadia.

 

Segundos na memória,

Que a lepidez não apaga.

E a suavidade que afaga,

Os eternizam na minha história.

 

Sedução intensa!

Amor ardente,

Fixado na mente,

Uma vida toda recompensa.

WHATS COM RAUL SEIXAS e outros papos

(Livro com 154 páginas – Parido do conto de 20 páginas “DDI com Raul Seixas” – Previsto para 2019).

 

[…]

Participei do carnaval de Rondonópolis, em 2017, contratado como consultor. Tive dissabores de todos os modos, inclusive quase tomei uma facada e por sinal fui protestado pelo não pagamento das pulseiras distribuídas para os camarotes do evento, por quem de fato era o responsável. Havia prometido não entrar mais nesses grandes eventos, até porque tinha perdido a fleuma para tal. Instigado por um amigo aceitei a proposta, mas só apanhei e ainda apanho por isso. Também não recebi os honorários combinados e quem sabe um dia ainda os receberei.

Como eu a cada dia tentava me distanciar de shows, episódios e musicais de grande porte, também ficava longe das coisas do Raul, entretanto ouviu suas músicas e as ouço ainda, num período mais longo entre cada vez.

Sete meses depois do advento desastroso do carnaval, onde uns jogam a culpa nos outros, estava olhando uma fotografia do carnaval, com crianças dançando ao som do trio elétrico, que foi divulgada, e passou um filme de suspense na minha cabeça lembrando do dia 26.2.17, quando já era quase 17h00, o horário de iniciar o evento e haviam muitas crianças com seus pais no espaço reservado. O trio elétrico estava estacionado no local combinado, dentro do recinto do estacionamento do estádio engenheiro Luthero Lopes, porém mudo. Atrasei-me porque estava participando do comitê de crise que avaliava se cancelava ou não o carnaval, por diversos motivos, principalmente a falta de verba para honrar os compromissos. Ainda não haviam decidido e resolvi acompanhar o evento, pois a produção sobrou para mim. Avistei o Paraíba, dono do trio e perguntei o porquê de não estar ligado os equipamentos, e ele me falou que só o faria se recebesse o valor combinado. Argumentei que estavam providenciando. Aquela resposta era para ganhar tempo, mesmo sabendo que a sangria começava a desatar. Vieram outras pessoas para demandar com ele, e eu disse-lhe que as crianças que ali estavam não tinham nada a ver com o problema, para ele relevar e aquelas coisas que se falam para argumentar, mesmo sabendo que o argumento não era tão eloquente. Consegui dobrá-lo, mas não sei por que cargas d’água o responsável pelo caminhão havia ido ao hotel se trocar, daí não poderia ligar o motor e dar início ao evento. Foi uma correria de telefonemas, taxis, mototáxis e a busca pelo rapaz. Apareceu uma escada e subimos no trio, com ordem do Paraíba. O gerador foi acionado, as luzes acesas e o som com as músicas da Ivete Sangalo tomaram o lugar.

Todos os equipamentos da banda que iria se apresentar já estavam passados e a postos, mas os componentes não estavam no local. Liguei para o líder deles, que me falou que só subiriam no trio se recebesse o pagamento. Liguei ao meu chefe e ele me informou que não teria mais condições de bancar a banda, para eu dispensar ou ver se eles se apresentavam para receber depois. Voltei a ligar ao músico, mas a resposta foi à mesma, de forma irredutível. Liguei ao chefe e ele me pediu para me virar. Preocupado com o evento, com a chefia e com a minha cidade resolvi achar algumas soluções para que as crianças não passassem por um vexame, sem me preocupar com o evento principal logo mais tarde, já sabendo que haviam “jogado a toalha”.

Liguei ao músico do nosso time, para ele vir nos salvar, mas informou que havia tocado na noite anterior e estava sem voz. Roguei por todos os santos, mas não obtive sucesso, até porque ele, o amigo, já sabia da sangria a desatar.

Liguei para mais amigos músicos e o resumo foi que um deles, o Robinho do Samba Retrô estava num sítio, localizado na Rodovia do Peixe e viria para a cidade urgente, para ver se chegava pelo menos na metade do evento. Outro amigo coordenador do evento me informou que havia uma dupla no seu bairro, que poderia segurar o evento, mas não estava conseguindo contato telefônico e foi à casa deles. Contatei com um locutor e apresentador do nosso time para nos socorrer e de prontidão se comprometeu dizendo que chegaria em dez minutos.

A adrenalina estava altíssima. Não conseguia pensar direito, até porque o tempo não permitia. Também um prenúncio de chuva apareceu e foi quando acendeu uma lâmpada na minha cabeça. Pedi ao comandante da PM do local para me ajudar a levar as crianças para o camarote vazio, para evitar que tomassem um banho de chuva e também tivessem a oportunidade de conhecer o espaço especial. Após essa ação acionamos a mudança do trio elétrico de lugar, uma vez que já havia aparecido a chave. Ganhamos meia hora, mas não desligamos o som mecânico com as músicas da Ivete, que eram as únicas. O locutor chegou e foi um sucesso a sua interação com as crianças, que já desceram do camarote, pois não choveu e ficavam mais próximos do veículo sonoro.

Continuava a procura de um músico para entreter as crianças, pois estava ficando monótona a intervenção do locutor. O Robinho estava a caminho, mas achava que não ia chegar a tempo. A dupla do bairro próximo não foi localizada. Quando resolvi procurar os parceiros para doarem prendas para sorteio às crianças, também comprei brinquedos de dois vendedores ambulantes, com recursos próprios, uma vez que não havia verba de produção. Nesse momento encontrei o músico que tocara no dia anterior curtindo com seus filhos, mas não tive coragem de abordá-lo novamente. Os brinquedos e pastéis fizeram sucesso com a garotada.

Até eu já estava cansado de ouvir a voz da Ivete Sangalo, entretanto o locutor era bom mesmo com a criançada. Subi ao trio junto com a Rainha do Carnaval, que também nos salvou e foi outra novidade, ganhamos mais tempo, mas nada de músico. O Robinho ligou dizendo que não chegaria a tempo. Sentado na parte traseira do trio liguei para meu chefe, mas ele já não me atendeu. Iria contar a ele como era triste ver mais de um milhar de pierrôs, colombinas, super-homens, homens-aranhas, mulheres-maravilha, bruxas, piratas, fadinhas e provavelmente até a Liga da Justiça completa, sem contar os pais dessas crianças, onde alguns também se fantasiaram terem frustrados seus anseios, que nós mesmos alimentamos.

Era bonito ver a alegria que estavam nos rostinhos e nas danças e trejeitos. Meu coração apertou. Deu vontade de chorar, de ir para casa. Só chorei escondido. O desânimo tomava conta de mim, quando resolvi olhar à esquerda do trio, que era o lado contrário onde as crianças estavam – o lado do estádio – e não é que Deus me presenteou, pois ali passavam um casal de músicos amigos. Desci correndo e os abordei, quando nos falaram que moravam próximo e poderiam sim, atender ao pedido para dar um show para aqueles pimpolhos. Eles queriam ira a pé buscar os equipamentos, mas convidei-os para irem no meu carro para ganhar tempo. Fui com eles até a moradia, onde pegaram o teclado e outros apetrechos. Montaram rapidamente e tiraram-me do purgatório, quando soltaram a voz feminina e melodiosa da Célia Morel, acompanhada pelo seu competente esposo Arthur, no abençoado teclado, raulseixando bem assim:

5… 4… 3… 2

Parem! Esperem aí

Onde é que vocês pensam que vão?

 

Plunct Plact Zum

Não vai a lugar nenhum!!

Plunct Plact Zum

Não vai a lugar nenhum!!

 

Foi uma senhora festa!!!

Talvez o público não saiba disso, mas quase tive um infarto naquele dia. Depois disso era eu a cantar lá dentro do meu interiorzinho um adágio do Raulzito:

…Que eu tô vivo… que eu tô vivo…

Que eu tô vivo, vivo, vivo como a rocha.

E eu não pergunto, porque eu já sei que a vida não é uma resposta…

[…]

 

*

No dia 11 de agosto de 2018, num sábado, fiz uma visita ao Tiago e a sua esposa Wly, na empresa Tereré e Cia, que detêm o acervo do Raul que me pertencia. Tivemos um bom papo com o casal e descobri que os dois eram muito amigos do Lindemberg e sua esposa Samara – que lhe doou o acervo – que chegaram a prometerem-se que o casal que tivesse o primeiro filho colocaria o nome de Raul. Isso ainda não aconteceu, espero que um dia se realize.

Fiquei feliz pela perpetuação, pois sei que está em boas mãos, um material que dá para fazer um memorial ao mestre Raulzito.

Nova luz chegando…

Um lampejo mais brilhante que o sol.

É a esperança num relampejo.

Que luz é essa?