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Exposição de Tânia Pardo

Abra aqui: catalogo

Deus disse: haja luz!

29.5.13

No início era o caos. Deus criou os céus e a terra. Havia trevas e Deus criou a luz. Vendo que era boa separou-as. Fez Ele o firmamento, e o elemento seco. Criou tudo que precisava e permitiu a germinação das sementes. Soprou as narinas do homem e deu-lhe uma ajudadora. Descobriram-se descobertos, em pouco tempo. Filhos seus assistiram na região da Ponte de Pedra. Há vestígios, ainda hoje. Vi com meus olhos um centro de convivência, que representava o primeiro teatro em campo da nossa região. Não foi o único. Ali dançaram, representaram, viveram e morreram. Eu dancei ali, no milênio passado com tribos atuais, mas já não havia o mesmo entusiasmo de outrora.

Findava os anos 1900 quando chegaram os milicos e os procuradores de ouro e pedras preciosas. Depois deram um nome ao povoado de Rio Vermelho, em alusão ao rio que nunca acaba a tinta. Em 1915 dão-lhe o número 395, que prefiro ao outro, dado mais à frente, que sugere a besta do apocalipse, quando da sua fundação. Recebeu novo nome, tomou corpo, e quase veio a óbito. Ressurgiu como boa filha que é da ave famosa, de silhueta formosa, na árvore frondosa, embalada na rede preguiçosa, que sugere a posição do fastio. Cresceu e já tinha quadrilátero. Mesmo assim, acho que tem uma cabeça de jegue enterrada debaixo da igreja. O progresso insiste em passar à margem.

Os espinhos já eram tantos, que o primeiro presidente da câmara renunciou. Quatro anos depois o prefeito virou deputado, o seu vice abriu mão, o presidente da câmara e seu vice foram impedidos legalmente, assumindo o terceiro vereador. Premonitórios rumores. Novas evoluções teatrais e cinematográficas, na Praça dos Carreiros, na rodinha do homem da cobra, no Bar do Dário, no Pulgueiro, e até na reserva Tadarimana. Na compra do arroz e do café, na pele da jaguatirica, nas carnes de caça e pesca para sobrevivência e até na importação de bodes.

Marinho cantou o encanto da boa terra. Solavancos da jardineira-baleia para colocar os miolos nos lugares devidos. O meeiro abriu a floresta no cabo da enxada e do machado, e o dono colheu as arrobas do nelore. Os grotões ficaram mais longe, as incertezas ficaram mais perto. O pão não chegava ao ponto, e a lona não cobria o circo, nem sobrava dinheiro para o pagamento da lavadeira. O algodão tomou conta, depois cedeu ao boi, que cedeu a soja, ao pesado bi-trem que detona a rodovia, às motos ultrapassando pela direita, à música sertaneja, ao tereré, aos buracos, espetinhos 24horas, e até Poxoréu querendo retomar o nosso lugar na cultura com sua viola caipira, os desordenamentos, as desinteligências… E agora, chegou o trem!

Vem trazendo de longe as cinzas descarriladas do tempo. Já foi colorido, ora pichado, enferrujado, sombrio e atrasado, mas chamando os que sabem do trem. O maquinista enche a caldeira, ou já é o tanque de combustível renovável, produzido por escravidão branca, como se o mundo não soubesse. Enquanto Vuolo sonhava com a Ferronorte trouxeram a América Latina para o seu herdeiro crismar, uma tração numa fração, no terreiro de casa. Bênçãos!

Quem vai chorar e quem vai partir, num vagão carregado de soja e farelo, gerando riqueza para alguns, nalgum lugar, deixando incertezas suspensas no ar. O gerente cobra o devido pedágio, mas será o povo a pagar, novamente. Respirando os pós, porque prós só os odores da podridão, ora catando as sobras dos grãos ou das granolas, perdendo a audição, ou ora o sossego, dormindo debaixo do vagão, sobre o dormente, agora de cimento e mais frio. Vê e crê dom Raulzito, é real para quem não havia crido ou ouvido: é o sinal de que Rondonópolis não será mais a mesma. Eu tenho Ouvisto.

É TÓXICO E AGRO …..É PESTICIDA !

*Pedro Pereira Campos Filho

Os versos, abaixo, revelam a realidade sobre a politica ambiental no país, mas a beleza dos versos sempre suaviza situações. Quero, meu caro confrade Hermélio Silva, pegar carona no seu ¨É toxico e agro¨. Terminologia e nomenclatura à parte, caminha-se para uma nova denominação. Não tão nova, mas, extremamente feia: PESTICIDA. Neste país dos paradoxos, parece-me que o problema não é só ambiental. Tão grave, também se afigura a falta de comprometimento social. O Agronegócio atende interesses do Empresário Rural, individual ou de poderosos grupos econômicos, de lobistas e do Governo, este, o Governo, sempre acometido de obsessão tributária. O resultado do agronegócio, notadamente, da alta produção de grãos é inteiramente destinado à exportação. O agronegócio alimenta o mundo, sem qualquer compromisso social, com a minimização da fome no Brasil. De suas milionárias receitas, nenhum centavo é exigido para a promoção social, para a garantia de alimentos a preços acessíveis no mercado interno. Somos o país da exportação de grãos, em alta escala, e também o país que importa arroz e tantos outros gêneros alimentícios, encarecendo o seu custo e dificultado o acesso à mesa de grande parcela da sociedade brasileira. Enquanto não se criar políticas públicas de proteção ao povo brasileiro, exigindo-se destinação de renda tributada do agronegócio como função social ou mesmo, exigindo pluralidade de cultivos, inserindo-se o básico alimentar para os brasileiros, como percentual de plantio de arroz e outros gêneros para destinação no mercado interno, estaremos assistindo o mesmo filme: Empresariado Rural, Grupos Econômicos, obtendo grandes financiamentos, plantando sem nenhum comprometimento social, recebendo, não sei a que título, a constante atenção da mídia e, pasmem, frequentando cursos de sucessão familiar, que lhes ensinam a exigir dos filhos, casamentos com total separação de bens, fazendo renascer no país, grupos familiares isolados e protegidos, ainda que seja, em total afronta ao espírito da Lei. O Parlamento Brasileiro se prende à discussão sobre denominação, e tenta mais uma vez passar para o povo brasileiro, um resultado que na prática, não protege e nunca protegeu a saúde pública e nem o meio ambiente que a Constituição nos assegura: equilibrado e saudável a ser preservado para as futuras gerações. Que diferença faz, rotular de agrotóxico, de defensivo agrícola ou de pesticida. Agrotóxico será sempre, o produto químico fungicida, inseticida ou herbicida utilizado na prevenção ou no combate de pragas agrícolas. Pesticida, que me desculpem os experts, pois sou leigo no assunto, é a meu ver, ainda de sentido mais amplo, pois são todas as substancias que tem objetivo de impedir, destruir, repetir ou mitigar qualquer praga. Não se olvidem, porém, que um PESTICIDA pode ser de qualquer substancia química ou um agente biológico (vírus ou bactéria). Portanto, não se trata de alteração legislativa, que se possa considerar como de se ¨trocar seis por meia dúzia¨, a troca é bem mais maléfica do que se anunciam.
*Pedro Pereira Campos Filho – Magistrado Aposentado e Advogado

Imagem da semana

Obra: Ruína de escola rural.

Local: Rodovia estadual que liga Rondonópolis a São Lourenço de Fátima.

Fotógrafo: Cesar Augusto.

 

É tóxico e agro

Querem tirar
o tóxico do agro.
O lucro
está magro.

Agora serão
defensivos agrícolas
e produtos fitossanitários.
Propostas ridículas.

O limite
é o risco aceitável e tal,
defende o empresário,
mas critica o ambiental.

Vem aí
o “PL do Veneno”
tratorando.
Não há antígeno.

E vão sobrar:
alimentos em rações,
inconsciências,
doenças e mutações.

27.6.18.

 

Casario / Parque das Águas

Foto: Agência Fotográfica Rivian Dias

 

O Casario é o “Marco Zero” de Rondonópolis. Foi nesse local que começou a ganhar contornos de cidade, pois era ali que se fazia a travessia do rio Vermelho, feita por balsa.

Restaurado tornou-se centro cultural e atração turística às margens do rio Vermelho. Criticam-se as intervenções, restaurações e mudanças. No filme “Esse aqui não”, publicado em 2000, nota-se na filmagem aérea como era diferente do que se vê hoje.

O Parque da Águas é uma área de lazer, com quadras esportivas e pista de caminhada.

Como fazem parte de um conjunto turístico optou-se em escolher como uma das Sete Maravilhas de Rondonópolis.

A ponte e o próprio rio são importantes monumentos para contemplação, e instrumentos que permitiram a cidade tornar-se um centro de miscigenação geográfica, quando acolheu aqui os baianos, mineiros, goianos, maranhenses, paranaenses, mato-grossenses, gaúchos, paulistas, catarinenses, brasileiros e estrangeiros de outras terras, que viveram e ou vivem harmonicamente, sem xenofobia tratando-os como rondonopolitanos.

Obra: o tacho e a banha de porco.

Local: sítio.

Fotógrafo: Cesar Augusto.


 

 

Casamento

Escolha
ainda na infância,
amor eterno
em qualquer circunstância.

Nem a morte nos separa.
Na riqueza,
ou na pobreza,
na alegria ou na tristeza.

A derrota
dói como fel.
A vitória virá.
Sou fiel.

Coração apertado,
azedo como limão.
Busco nova força:
Põe garra timão!

Ressurgem
os titãs.
E o grito de guerra:
Vai Corinthians!!!

9.6.18.

 

Instalando

Recortada

em verde, cinza e áureo.

De vários formatos.

Arbóreo.

 

É o ciclo.

É a vida.

Do verde ao pó.

Ávida, havida.

 

Da poeira

do ferro e aço.

Novos produtos,

o nó do laço.

 

Convida

para novas ações,

reusos,

reconstruções.

 

Ela grita

com toda clareza:

socorro!

É mãe natureza.

 

2.6.18.

 

Imagem da semana

Obra: Lucimar com destino a Chapada dos Guimarães.

Local: Rodovia Campo Verde a Chapada dos Guimarães.

Fotógrafo: Cesar Augusto.