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Sim, eu estive preso por muito tempo,
Mas hoje é o dia da minha libertação.
Não haverá mais a que eu me lamentar,
Porque tudo será revelado do coração.

Tudo será dado ao destino atrasado…
Tudo será posto ao ar, ao dia, ao vento.
Tudo terá testemunhas, este tudo, sim…
Tudo deixará de ser só um pensamento.

Compartilha-se o sonho, o pesadelo.
Compartilha-se o espasmo e devaneio…
Compartilham-se os traços do escuro,
O que é tímido, saudoso, bonito, feio…

Daquilo que é grosseiro e asqueroso
Será transfigurado de modo direito
Como nasce uma mariposa no mato…
Será, assim feito, de modo imperfeito…

Será assim posto a desenvolver-se,
A firmar-se as plumas e penugens,
Nervura, quitina, metacarpos, asa…
Haverá a eclosão de suas origens.

É, sim, este o dia da minha libertação!
Bate e escorre como o tempo pelo vento,
Construindo, desenvolvendo conectando,
Comunicando a fusão de cada filamento.

(*) George Ribeiro é poeta, rondonopolitano e membro da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 9

Determinação
Ao sol, ao luar.
Eu me sinto cansado,
Mas não vou parar.

Dia e noite…
As estrelas no céu…
Mesmo na escuridão,
A busca de um troféu.

Competir faz bem,
Mas tem de se entregar
Por esse bem
Que só tem se ralar.

Sem ser perfeito,
Já se ganha por tentar
Encontrar um jeito
De a vitória alcançar.

Entrei de cabeça,
Dei tudo de mim.
Desistir é uma perda
Que não terá fim.

Eu a procuro nos pódios.
Quero me tornar vencedor.
Mas sei que aos seus olhos
Nada acontece sem suor.

O que se passa,
Só quem está lá que entende.
Não tem quem faça
Com que eu me arrependa

De competir,
De buscar você,
De querer,
De vencer.

(*) George Ribeiro é poeta, rondonopolitano e membro da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 9

Utiliza da luz do cosmos seu vestuário
E dos ares as estradas por onde caminha.
Ele, um anjo da terra frustrado, solitário,
Expiando o vazio que o amor nele definha.

Ele, um mensageiro celeste, imperfeito,
Que com as dores da vida mostra o primor.
Desvanece com o aprendizado seu defeito,
Mostra na íntegra a importância do amor.

Quando se relembra de estar preso em pele
E o desconforto que traz esse revestimento,
Nesse estado assim cativo que tanto repele,
É inevitável logo desejar o seu passamento.

anjo

Sofre com submetidas desilusões terrestres
Que tanto o corrompe neste estado errante.
Eminencia, além das singelezas campestres,
As dádivas do seu saber e as conduz adiante.

Um amante da vida, da ética e da moral,
Luta contra a carne na batalha do pecado.
Com ajuda dessas vozes, como um coral,
Que o acompanham desde o dia marcado.

Dia que Deus lhe disse: “Vá, vá, meu filho.
Desça a terra, aprimore e se engrandeça.
Você terá nas costas um grande empecilho,
Mas vozes amigas farão que não padeça.

Estes seres falsos que você julga repugnantes,
Irão queimá-lo na pele, e esta é a sua missão!
E com seu dom congênito persuadirá errantes,
Em atributo às falhas, torná-las-á obsessão” […]

O anjo sabia da sua tão difícil designação.
Logo via a sua frente o universo expandindo.
Em meio natural dos homens, pôs-se em ação.
Em meio a tanta perversão, tornava-se lindo.

(*) George Ribeiro é poeta, rondonopolitano e membro da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 9.

george ribeiro - 22-01-16

Talvez o meu pior dia me reserve uma fada,
Porque certas palavras nunca me aliviaram.
Nenhum ser olhou as nuvens que pararam
E nem sequer as contestou por essa parada.

De lá, bem devagar, vinha uma luz encantada
Como um sopro de Deus que descia tão lento.
Junto com as lindas sinfonias soltas ao vento
Estava a pureza do perfume vindo da jornada.

Eu somente vi pés se revelando, um de cada;
E minha visão expirou pela emoção intensa.
Eu já não me considerava um ser que pensa,
Pois até a imagem mental esteve embaçada.

Contudo ali eu esperava a presença da fada.
Aquela com um sorriso lindo e reconfortante
Para me aliviar desse tédio e dor incessante;
Para me livrar dessa vida rude e tão pesada.

Há quem pense que essa situação é engraçada,
Que o meu sofrer é algo único e contraditório.
Piadas são as chamas das velas em um velório.
E eu me sinto tão, tão triste que até dou risada.

Queria entender o sentido que há na jornada,
O triste abandono da origem, do ser, da vida…
Um mísero desejo feito neste ato de despedida!
Esse é o meu melhor dia para a vinda da fada…

(*) George Ribeiro é poeta, rondonopolitano e membro da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 9.

george ribeiro - 22-01-16

As índias e seus uivados na noite escura…
Observe bem, guerreira, por onde pisa,
Pois a lua revela pouco do que precisa
E algo forte pode abalar sua estrutura.

Você nega, você para e observa em volta.
Não sabe de onde vem e nem crê no grito.
Ignora o que há dentro em causa deste mito
E luta contra si na intimidade e na revolta.

Seus lábios são a porta de seu mundo
E alimentam os instintos na noite densa.
Você muito nega, e foge, e muito pensa
Em seu maior medo: sentimento profundo.

Tal qual uma janela fechada para a brisa,
Não se entrega ou se permite, nada crê.
E, às vezes, ninguém faria mais por você
Do que alguém que você menos valoriza.

“Às margens do lago, ela se deu com espelho d’água…
Perdeu um mundo para dar-se a si,
Perdeu poder de ser feliz.
Não há festa, nada resta…
Sua maior batalha, suas penas…
Suas penas.
Foi derrotada por si mesma.
Solidão, guerreira, apenas.”

(*) George Ribeiro é poeta, rondonopolitano e membro da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 9.

george ribeiro - 22-01-16

Está vendo pousar em seu colo minha mão,
Descendo suave como quem não quer dizer
Sobre os desejos que incendeiam seu prazer,
Revelando de forma tão tímida essa paixão?

Uma mão que deseja encontrar no seu rosto
O sorriso sincero e maroto que se imagina
Em um segredo, como de uma canção divina
Que não se escuta, mas que se sente o gosto.

Note minha mão tocando devagar o silêncio,
Buscando a rosa que você me pede calada.
Escrevo palavras em sua pele, minha amada.
Pense logo o que quer, pois eu a providencio.

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Sinta o aroma que me acende esse amor puro.
Faz-me pensar na ironia das coisas perfeitas!
O amor que escolhe dois seres sem suspeitas:
Um não fala e o outro vive em eterno escuro.

Para escutar, penetro em seus pensamentos.
Não necessito que você diga palavra alguma.
Leio sua boca com o polegar leve como pluma.
O seu sorriso revela todos os seus sentimentos…

Sinto acender no calor do suspiro o amor puro
Que me faz recordar a doce magia da perfeição
Que uniu estes seres diversos em um só coração:
Um não fala e o outro vive em eterno escuro.

(*) George Ribeiro é poeta, rondonopolitano e membro da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 9.

george ribeiro - 22-01-16

Foi enquanto o corpo caía no oceano
Que notou quanta falta lhe faz o ar…
Não era só sensação de abandono.
Não. Era outro modo de ver o mar.

Porque até doem as águas salinas,
Nem tanto como saber quem lhe joga.
Ardem muito ao entrar pelas narinas,
Mas não como o peito de quem se afoga…

Mãos que acariciaram e deram colo,
Mãos que jogaram o corpo nu no mar.
O descaso foi disfarçado de consolo,
Desprezo dado por quem dizia amar.

Flutua e despenca o corpo molhado,
Averigua o sol a se por no horizonte,
Flerta a cor cinza das águas, vidrado,
Despede-se da luz silenciosamente…

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Seria essa terrível dor mero engano?
Esfria inteiro seu peito ao repensar.
Tanta possibilidade existia no plano!
Agora o coração mal consegue pulsar.

Treme o corpo entre as águas salinas.
Um abstrato nado de quem se afoga…
Músculos atrofiam e as veias ficam finas,
A pele fica roxa e o cabelo se estraga!

Mãos que acariciaram e deram colo
Próprias de quem ri ao ver o corpo no mar.
Mãos que acariciaram e deram colo,
Que até à morte elas auxiliaram a remar!

Não faltará muito para ali jazer afogado
Nas entranhas das águas eternamente.
Se há de morrer, confia a Deus seu fado,
Sob uma esfera prateada e reluzente…

(*) George Ribeiro é poeta, rondonopolitano e membro da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 9.

 

george ribeiro - 22-01-16

Sozinha, Dolores abaixa a cabeça,
Desliza pela parede rubra e chora.
O peito é sabotado por lembranças;
A consciência se alarma com a hora:

Momento de despedida do mundo.
Aproxima-se a sua vez de ir embora.
Um mundo vazio lhe acena de longe…
E a sua vida será lançada para fora.

Dolores, as suas lágrimas brilham!
Nem as ofuscam a essência da morte.
Desaparecem aos poucos as vozes
Quando soa a música de tambor forte.

Resultado de imagem para DEPRESSÃO

Dolores, você vai para bem longe
Motivada por seu próprio (des)gosto.
Não deixa saudade da sua vida e
Leva um estranho sorriso no rosto.

Dói sentir…
Sentir dor dói…
Dói a dor ressentida.
Uma dor sem sentido
Que dói. Dói!

Uma nova estrela surgiu no céu.
Um brilho que não, não é triste…
Dolores Silva Luz não sofre mais.
Dolores, luz que não mais existe…

(*) George Ribeiro é poeta, rondonopolitano e membro da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 9.

george-ribeiro-22-01-16

A tristeza deitou-se ao meu lado, na cama,
Sorriu-me com graça, como quem me ama.
Atraiu-se pelo rosto melódico, tom melódio,
Pela lágrima, pelo meu péssimo pensamento,
Pelos olhos que fitam a lâmina todo momento
E que, ainda assim, não revelam nenhum ódio.

Não há ódio, não há rancor, só há tristeza.
Somente ela posicionou-se com a certeza
De que sua companhia seria de meu agrado.
Decerto… Não sei o que tenho de agradável.
Sou tão tedioso, tão insalubre e deplorável
Que não sei como a tristeza me tem amado.

Terá sido o soluço ou golpe forte na parede?
Poderá ter sido ou autoflagelo, a fome, a sede
Que me fizeram de vez em quando desmaiar?
Não sei o que encanta e a traz a mim, tristeza.
Talvez seja essa semelhança ou a sua certeza
De que noites e dias não falharei em agoniar.

 

Esse deslumbre, talvez, deu-lhe credibilidade
De que teria um amante com ardente virilidade
E que dispõe as angústias a sua companheira.
Que tristeza! Veja que já a considero uma aliada,
A única que eu certamente contarei na noitada,
Seja na hora do poema ou na hora da bebedeira.

Tristeza, venha beijar a minha face do seu jeito:
Fisgada que traz a lágrima e a dor nesse peito,
Que tão machuca, perturba, mas permite viver.
E, essa é a difícil parte, tristeza: a continuação.
Descaso com a dor, demorada, e com o coração.
Órgão que tanto anseia por a si mesmo comover.

E, se eu continuar a viver, viverei com a tristeza…
O que me resta é abraçá-la e tratá-la com gentileza,
Pois a vida conjugal necessita dessa cumplicidade.
E agora eu sei! Sei do enlace, sei da mútua afeição…
Sei, tristeza, que meu choro calado foi a sua atração,
Que – pasme! – sente ao me ver uma atroz felicidade!

(*) George Ribeiro é poeta, rondonopolitano e membro da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 9.

george-ribeiro-22-01-16

Quem foi que disse que o sonho
Só se faz quando os olhos escurecem?
Portanto acorde para ver o sol
E o milagre de uma prece.

Eu quis,
Pedi,
Consegui.

Não encontro amor assim faz tempo
E o tempo é tão relativo…
Pois, agora que eu me encontro,
Posso ver o que me conserva vivo:

A paz,
O amor,
Meu sonho.

Resultado de imagem para infinito moebius

Eu voei,
Vi a luz,
Acreditei.

Então, fitei o infinito só pra ver
Como se comporta o tempo.
Quem foi que disse que o sonho
Só se faz quando os olhos escurecem?

Eu acordei para ver o sol…

(*) George Ribeiro é poeta, rondonopolitano e membro da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 9.