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george ribeiro - 22-01-16

Lá embaixo,
Eu vejo a bola azul

Cada dia
Mais cinzenta.
Como é que faz
Para se ter esperança?

Como é que faço para
Descer daqui,
Para por mão na cabeça
De quem pensa

Que o mundo é para sempre,
Que nada pode acabar,
Que o futuro não lhe pertence,
Que quem nasce é que tem azar?
Antevejo
O futuro:
Um lugar sombrio,
Sem o céu,
Sem o sonho…
Sem uma razão
Para se ter esperança

Naquela terra seca que
Não mais produz,
Nem oferece qualquer
Recompensa.

Nada é para sempre.
O mundo pode acabar.

O futuro a todos pertence
E o egoísta terá o azar.

No Espaço

Morri intoxicado.
Morri de fome.
Morri de sede.
Morri de calor.
Morri por amor.
Morri por respirar.
Morri assassinado.
Morri por alguém.
Morri por ninguém.
Morri quando nasci.
Morri sem nascer.

Morri por minhas próprias mãos…

E ele
Quer vir aqui,
Além do sol…

O homem olha para cima
E procura no espaço um novo lar…

(*) George Ribeiro é poeta, rondonopolitano e membro  da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 9.

Foto: NMT

Na noite desta quinta-feira(14), por volta de 20h30 o condutor de uma carreta carregada de arroz acabou perdendo o controle e tombando no trevo da Serra de São Vicente na BR-364.

O motorista não identificado, informou que carregou em Cuiabá e seguiria destino para Brasília-DF (1138 km de Cuiabá), quando ele chegou no trevo ficou em dúvida para onde seguir viagem, e acabou entrando no acostamento e perdendo o controle da carreta.

Parte da carga ficou caída na mata as margens da Br-364, o condutor acionou o guincho da concessionaria responsável pela rodovia, e prestou todo o suporte necessário.

george ribeiro - 22-01-16

O chão, que denuncia a interferência humana,
Reconhece a mão que o entrega a boa semente,
Expressa sua reação ao ser humano consciente
E repara a obra calamitosa da ação vil e insana.
É esperado o retorno certo: ou sadio ou doente…

Seguem as mãos calejadas arando a nossa terra.
Iluminadas pelo sol acima, não reclamam do calor.
Fertilizam o solo quente com cada gota de suor…
Aquele que trabalha com esperança jamais erra.
Determina a sua sorte a força honesta do labor.

Tudo leva a crer que a natureza, além de bela,
Devolve por inteiro o bem que faz o agricultor
Que a respeita, que a contempla por seu valor
E sabe que a sua existência só se dá com a dela…
Impossível é sustentar-se sem esse ato de amor.

Mesmo cansadas da ingratidão desse mundo afora,
Suportam em silêncio duas entidades consolidadas:
Humanidade e Natureza (às vezes, parecem separadas).
O cabo da enxada nunca descansa ou escolhe a hora
E espera muitas mãos para dividir tais empreitadas…

(*) George Ribeiro é poeta e morador em Rondonópolis

Reveja o trigo que se inicia com o joio na terra,
Misturados, indefinidos no horizonte e juntos
Crescem e dividem o seu espaço entre muitos.
Só os olhos que os identificam revelam a guerra.
Entre eles: complementos, alimentos, conjuntos…

Um, unificado, universo que une verso e história…
Mais inteligentes, mais estupidez entre os agentes
Que deformam um mundo único e, em suas mentes,
Repartem, cortam, estripam e destroem a sua glória!
No fim, dividem uma atmosfera de partículas doentes.

No fim, cumpliciam-se como fazem o joio e o trigo…
A partir desse prisma: qual é o mais falso e venenoso?
Qual dessas espécies possui o perfil mais asqueroso?
Se até o trigo, o seu trigo, deu ao joio algum abrigo!
Qual convívio se mostra ao planeta o mais danoso?

Nem brilhamos na poeira na qual vivemos no escuro…
Qual a razão desse ser que insiste em fazer inimigo
E que deturpou até a bela história do joio e do trigo?
Quer livra-se de si enquanto ergue seu próprio muro…
Nem desconfia que lá fora só reflita o que há consigo…

(*) George Ribeiro é poeta e morador em Rondonópolis

Deus do céu, como dores eu sofria
Sob as visões que eu via da amada
E seus pútridos atos de embalada
Que eu, mesmo de longe, os sentia.

Tão linda, tão formosa e tão fria,
Como o céu ilustrado por fachada,
Escondia um cruel inferno, calada.
E tantos males para mim ela fazia.

Acreditei na sua dignidade ultrajada,
Exprimi minha dor com a face sorrindo,
Disfarcei a febre e a lágrima derramada.

Pude entender que nada mais era lindo,
Que meus sonhos eram alvo de risada
E o meu destino chorar vendo-a rindo.

Anexo

E as gargalhadas foram proferidas…
Todas elas esfaqueavam o coração,
Não tinha o infeliz uma única oração
Que ao menos o poupasse das feridas.

Tinha somente as lágrimas corridas
Para arder e dificultar a cicatrização…
Momentos que requeriam uma benção
Pois as vistas já estavam escurecidas.

Era o tempo de se entregar a maldição,
No cessar de um amor e do querer.
Entender e aceitar a triste abjunção.

Era o destino marcado pelo sofrer,
Escrito por quem ri dessa condição
E gargalha da angústia de morrer.