Cirurgias, Portugal e expectativa: Ricardo reforça sub-20 do Vasco
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Cirurgias, Portugal e expectativa: Ricardo reforça sub-20 do Vasco

Fonte: Felipe Schmidt
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Ricardo tem 19 anos, duas cirurgias de hérnia inguinal em
menos de 12 meses e uma passagem por empréstimo pelo Vitória de Guimarães, de
Portugal. Tanta experiência acumulada vai lhe servir para reforçar o time
sub-20 do Vasco, que estreia no Campeonato Carioca no próximo domingo, contra o
Fluminense. No início do ano, ele se destacou no jogo-treino dos profissionais contra o Bonsucesso, quando fez o gol da vitória por 1 a 0 (veja lances no vídeo acima)

O defensor se autointitula um dos “vovôs” do elenco
sub-20 cruz-maltino. Em São Januário, o consideram uma das principais promessas do
clube, zagueiro canhoto de qualidade técnica que pode render frutos ao profissional.
Mas, por enquanto, Ricardo quer mesmo é aproveitar o retorno e jogar
ao lado do amigo Bruno Cosendey, volante que também voltou de empréstimo do
Vitória de Guimarães e é seu amigo de infância, responsável por levá-lo ao
Vasco. 

– Ele que me trouxe para cá. Eu jogava futsal no Grajaú,
enfrentei o Vasco e marquei o Bruno. O pai dele trabalhava com o meu tio, falou
para me levar no Vasco, que precisa de zagueiro canhoto. E eu era meia (risos).
Comecei a jogar de zagueiro e fui gostando – contou.

Os dois estiveram no Vitória de Guimarães, mas
compartilharam poucos meses juntos. Para Ricardo, o período em Portugal serviu
para lhe ajudar a amadurecer. Em campo, diz ter melhorado nas partes tática e
técnica, apesar de ter feito apenas três partidas. Fora, morou sozinho pela primeira vez e aprendeu a se virar. 

– Dentro e fora de campo amadureci muito. Voltei um zagueiro
bem melhor, mais participativo. Foi uma experiência muito boa. O futebol lá é
muito diferente do daqui. Aprendi coisas na marcação, de sair jogando –
relatou. 

Cirurgias e destaque em jogo-treino

Foram oito meses no Vitória de Guimarães. Ricardo acertou
seu empréstimo em agosto de 2015, logo depois de se recuperar da primeira
cirurgia de hérnia inguinal. Em janeiro de 2016, começou a sentir dores de
novo. Em março, constatou que teria que operar de novo e pediu para voltar ao
Brasil. 

A cirurgia aconteceu em maio. Ele se recuperou em dois meses
no Caprres. Depois, por questões burocráticas, não pôde ser inscrito nos
torneios sub-20 e só treinou com o grupo. A paciência foi recompensada no
início de 2017, quando foi chamado para os profissionais e se destacou no
jogo-treino contra o Bonsucesso.

– Falaram para eu ir treinar porque o Rodrigo estava com uma
bolha, ia ser poupado. Acabei jogando pela ausência dele. Joguei bem, fiz gol.
Contra o Madureira, entrei nos minutos finais. Foi a primeira chance que tive
(nos profissionais). 

Meta de título na base e inspiração em Luan

A boa impressão deixou gostinho em Ricardo. Ele vê a disputa
do Carioca sub-20 como uma vitrine para ganhar espaço. Para isso, acredita que
conquistar o estadual seja primordial para que a base seja vista. 

– Ainda não ganhei um título desde que subi para o sub-20. O
Carioca é bom para ganhar um título. É muito difícil subir para o profissional
se não fizer resultado na base. É fazer bons jogos e consequentemente ganhar
espaço se for chamado para o profissional. Tem que estar preparado como o
Douglas – disse, citando o volante de 18 anos que se tornou titular dos
profissionais. 

Além de Douglas, outro espelho de Ricardo é Luan. O defensor
foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira para o amistoso
contra a Colômbia, esteve na conquista da medalha de ouro olímpica e serve de
exemplo para o jovem.

– Eu me espelho muito nele, porque veio da base, é novo,
acabou de ganhar um título que todo mundo queria ganhar. Está buscando o espaço
dele na Seleção aos pouquinhos. Já é ídolo, né? É isso. Quero subir, fazer
minha carreira no Vasco, jogar, me firmar. Todo mundo quer jogar na Europa, mas
não tem por que querer sair daqui se a proposta não for surreal. Jogar aqui
para o resto da vida todo mundo quer. Está bom para caramba – completou.