CARNE BOVINA: Para analistas, abertura de mercado norte-americano traz ganhos diretos e...
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CARNE BOVINA: Para analistas, abertura de mercado norte-americano traz ganhos diretos e indiretos

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Redação

Depois de 15 anos sem comprar a carne brasileira bovina in natura, os Estados Unidos voltarão a importar o produto, o que, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) vai favorecer em 95% a agroindústria exportadora do país. Para o médico veterinário e nutricionista de gado de corte Lainer Leite, que percorreu os principais estados produtores de gado dos Estados Unidos recentemente, a medida traz ganhos diretos e indiretos.

“O ganho direto está relacionado com a demanda. Com essa abertura temos mais um importante país importando a nossa carne. Por outro lado, também se ganha na hora de negociar com outros países, já que ter os Estados Unidos como clientes significa que temos um status sanitário confiável. Ter a ‘chancela’ norte-americana na nossa carne abre muitas portas e pesa na hora de negociar com outros países”, afirma o veterinário que passou três meses conhecendo o sistema de produção norte-americano, por conta de um cronograma que a empresa Nutripura desenvolveu, visando qualificar cada vez mais seus técnicos.

Para o veterinário um dos fatores que devem ter pesado na decisão dos Estados Unidos é que o rebanho deles está diminuindo, é o menor em 50 anos. Isso pode afetar a produção negativamente e valorizar ainda mais a carne bovina no país. Abrir as portas para a carne bovina in natura brasileira pode equilibrar novamente a oferta e demanda.

Lainer aponta que com relação às questões sanitárias, os produtores brasileiros estão “fazendo a lição de casa”, respeitando o período de carência dos medicamentos utilizados nos rebanhos e tomando os cuidados necessários com a vacinação contra as principais enfermidades, especialmente a Febre Aftosa.  O Departamento de Agricultura Americano (USDA) é muito rigoroso e estará atento á essas questões, ressalta Lainer.

Com relação ao ganho para os pecuaristas, Lainer afirma que a abertura desse novo mercado deve contribuir prazo para a manutenção dos preços dos últimos meses – ao redor de U$ 50/@. “Teremos a parceria com um grande importador e isso significa mais alguém para ‘puxar’ nossa carne. Se tem mais demanda que oferta a tendência é de manter ou até mesmo valorizar o preço da carne para todos os elos da cadeia, do criador ao frigorífico”.

O que deve fazer com que o mercado fique mais firme, segundo avaliação do presidente da Associação dos Criadores do Sul de Mato Grosso (Criasul), Marco Túlio Duarte Soares. “Como produtor a gente sempre vê com muito bons olhos, pois vai remunerar mais a cadeia produtiva do mercado interno. A visão é de mercado firme no valor da arroba. Quando você tem mais um mercado você está tirando carne do mercado interno, ou seja, pode ter falta de produto internamente traz competição, mas faz o mercado ficar firme”, avalia Marco Túlio.

Segundo o presidente da Criasul, hoje os produtores estão investindo em tecnologia, o nível de preocupação com a sanidade e questões ambientais é muito grande e o conhecimento aumentou, o que impacta de forma positiva no bom desempenho das questões sanitárias. “É pouco provável que se ocorra algum problema por descuido dos produtores. Além dos investimentos dos produtores, os níveis de controle dos órgãos também estão mais rígidos e isso ajuda”, define Marco Túlio.

Ao todo, além de Mato Grosso que possui um rebanho de 23,5 milhões de gado, outros 12 estados brasileiros e o Distrito Federal serão beneficiados com a decisão dos EUA. A expectativa do Mapa é que abre-se um mercado potencial de pelo menos 100 mil toneladas por ano para o Brasil.

Montreal