Bolsonaro compra briga com OAB e põe fogo em discussão sobre exame...
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Bolsonaro compra briga com OAB e põe fogo em discussão sobre exame obrigatório

Fonte: Da Redação NMT
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Presidente eleito mostra que não concorda com obrigatoriedade de uma prova para exercício da função de profissionais formados numa universidade. Foto - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Após o novo ministro da saúde, anunciado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, defender a prova do “Revalida” também para os médicos formados no Brasil, como uma forma de controlar a qualidade dos serviços oferecidos pelos profissionais brasileiros do setor, o novo chefe da República, que assume em janeiro, criticou a ideia de Luiz Henrique Mandetta e comparou a possibilidade como um entrave ao livre funcionamento da função semelhante ao que ocorre com quem não consegue ser aprovado no exame obrigatório da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB.

Bolsonaro se pronunciou sobre a ideia de Mandeta no último fim de semana na Escola de Educação Física do Exército, na Urca, no Rio de Janeiro. O social-liberal acabou, porém, cutucando uma das agremiações institucionalmente mais organizadas do país atualmente. “Eu sou contra o Revalida para os médicos brasileiros, senão vai desaguar na mesma situação que acontece na OAB. Não podemos formar jovens e depois submetê-los a ser boys de luxo em escritórios de advocacia”, comparou.

Na verdade, a crítica de Bolsonaro quanto a uma possível reserva de mercado, reacende uma frente contra a obrigatoriedade da prova da Ordem para execução da atividade advocatícia no Brasil, que acumula argumentos até mais graves que isso. Mesmo assim, inegavelmente, a OAB tem muita força atualmente e levantar a voz contra sua existência, até mesmo da parte de um presidente eleito da República, é dar um tapa num vespeiro sem medir muito as consequências da fuga.

O presidente nacional da OAB, Cláudio Lamachia, como não poderia ser diferente, retrucou Bolsonaro, desfocando a questão para a criação desenfreada de cursos de Direito no Brasil, comprometendo o controle de qualidade da formação jurídica no país. “Seria importante o comprometimento do futuro governo contra o uso político do MEC que tem patrocinado ao longo dos últimos anos um verdadeiro estelionato educacional ao autorizar o funcionamento de faculdades de direito sem qualificação, contrariando pareceres da OAB e os interesses de toda a sociedade”, externou Lamachia.

A verdade é que ter tão evidente a opinião de um presidente da República contra a obrigatoriedade da prova da OAB, que arrecada tanto junto as mensalidades dos seus membros, é simbólico e não é qualquer fato. O sonho de muitos em ver um levante realmente relevante e antagonista ao absolutismo da Ordem na advocacia do país pode estar mais próximo do que nunca.