Bisavó e avó de bebê indígena são indiciadas por 3 crimes em...
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Bisavó e avó de bebê indígena são indiciadas por 3 crimes em MT

Fonte: Gazeta Digital
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Bisavó e avó de bebe indígena enterrada viva vão responder por tentativa de homicídio qualificado, tentativa de aborto e omissão de socorro a mãe da criança. As duas foram indiciadas pela Polícia Civil de Canarana (823 km ao leste de Cuiabá), que concluiu as investigações sobre o caso.

A bisavó de Analu Paluni Kamayura Trumai, Kutsamin Kamayura, 57, já havia sido indiciada pela tentativa de homicídio e responde na Justiça por este crime. No novo inquérito concluído foi indiciada pelos outros 2 crimes. A avó, Tapoalu Kamayura, foi indiciada agora pelos 3 crimes.

De acordo com o delegado que conduziu o caso, Deuel Paixão de Santana, as testemunhas relataram que a mãe da recém-nascida, uma adolescente de 15 anos, começou a ter as dores do parto ainda pela madrugada do dia 5 de junho, mas que mesmo sendo acompanhada pela Casa de Saúde Indígena, Kutsamin e Tapoalu não levaram a menor para atendimento médico. Somente no período da noite, quando Analu já havia sido enterrada e a adolescente apresentava sangramento, é que a levaram ao hospital.

“Houve um ato temporal muito grande em que omitiram o socorro a adolescente. Não encontramos nenhuma motivação ou alegação para não socorrer a adolescente já que ela estava fazendo acompanhamento da gravidez. A única motivação de não socorrer é o interesse de eliminar a recém-nascida”, disse o delegado.

Apesar de que não descartar a participação de uma terceira pessoa no crime, o delegado confirmou que devido ao tempo teve que finalizar o inquérito. Segundo ele, outra filha de Kutsamin estava na residencia no dia do crime, Tepori Kamayura. No entanto, Tepori mora em uma reserva indígena e a Fundação Nacional do Índio (Funai) não colaborou na localização dela.

A investigação deve prosseguir caso o Ministério Público aponte a necessidade de apurar se houve o dolo ou se esta terceira pessoa estava apenas na casa. Já em relação ao crime, o delegado confirma que foi possível concluir a clara intenção na morte da recém-nascida, filha de mãe solteira com um índio de outra etnia.

As testemunhas apontaram, inclusive, que a prática do infanticídio já não é mais adotada naquela cultura. Bebe Depois de ficar mais de um mês na UTI da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, Analu recebeu alta dia 09 de julho e voltou para Canarana. A criança está num abrigo. A Justiça aguarda um estudo antropológico e social para definir se fica com familiar ou vai a adoção.