Bandeira justifica venda de Jorge e afirma: “Não sairia por qualquer valor”
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Bandeira justifica venda de Jorge e afirma: “Não sairia por qualquer valor”

Fonte: Raphael Zarko
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A negociação de Jorge para o Monaco provocou debate: foi
pouco dinheiro, valor justo ou muito, principalmente na comparação com outras
transferências de jogadores do setor? Horas depois do presidente do Flamengo,
Eduardo Bandeira de Mello, dizer que o Flamengo ainda avaliava a transferência,
no evento da Carabao, o clube anunciou oficialmente a saída do jovem jogador. E
ainda divulgou os valores: 9 milhões de euros.

A solução rápida se justificou, de acordo com o presidente,
por motivo simples: os valores agradaram o Flamengo. Em contato com o
GloboEsporte.com, Bandeira disse que Jorge jamais seria negociado se não fosse
venda em valores satisfatórios:

– Foi um conjunto de duas coisas: a proposta financeira foi
considerada satisfatória para o clube e também foi muito boa para o jogador. (Jorge)
não sairia por qualquer valor – afirmou Bandeira.

Se a vontade de Jorge pesou, o clube fez valer seu desejo
nas últimas negociações para liberar o jogador e seu representante, o
empresário Eduardo Uram. Detentor de até então 70% dos direitos econômicos do
jogador, o Flamengo colocou como condição ganhar mais 5% na transferência para
o Monaco. Ou seja, leva da fatia total de 9 milhões de euros cerca de 6,7
milhões de euros – aproximadamente R$ 23 milhões.

Inicialmente, o Flamengo tinha 80% dos direitos econômicos
de Jorge – em documento oficial do clube há informações que constam como 90% -,
mas cedeu 10% para o grupo que representa Jorge na renovação – depois da Copa
São Paulo de Juniores de 2015. A prática é comum para aumentar salários de
atletas e elevar a multa, a ponto de proteger o clube com saídas precoces de
promessas.  

Questionado se o dinheiro seria reinvestido em contratações,
Bandeira preferiu não antecipar o destino da verba. O Rubro-Negro vai receber à
vista pela venda de Jorge – e, em caso de futuras transferências, terá direito
a 5% integrais do mecanismo de solidariedade do atleta.

– Isso (de reinvestir para contratar) ainda vai ser
discutido internamente – afirmou o presidente do Flamengo.

De volta ao mercado

A inserção no mercado de grandes transferências era algo que
passava longe da Gávea e era discutido internamente. Nos últimos anos, até
mesmo na previsão de orçamento, o clube era tímido: colocava R$ 10 milhões como
receitas oriundas desta linha. Em 2013, faturou “apenas” R$ 3,8 milhões com
venda de jogador. Em 2014, R$ 6,9 milhões. Em 2015, com Samir vendido em
dezembro, aumentou para R$ 11,9 milhões – superando a meta de R$ 10 milhões. No
ano passado, Kayke foi vendido por R$ 7 milhões e Wallace, para o Grêmio, saiu por
R$ 3,2 milhões. O clube ainda
tem dinheiro a receber por Hernane, o que, descontado pagamentos de
investidores pelo Brocador, vai representar cerca de R$ 11 milhões.

A venda de Jorge representa
numa tacada só quase tudo que o clube faturou com este tipo de receita desde 2013.
Em quatro anos (2013-2016), o Flamengo faturou R$ 33 milhões. Em janeiro de
2017, Jorge sai por R$ 29 milhões – destes, R$ 23 milhões para os cofres do
Flamengo. O que representa cerca de 70% do valor na soma de todas as janelas
mais recentes.

– Claro que você está
inserindo num mercado internacional (de compras e vendas), o que é interessante.
Repito: Jorge não sairia por qualquer valor. A proposta foi considera
satisfatória – disse Bandeira.

Outra receita de vendas do Flamengo saiu com um dos muitos empréstimos acertados pela diretoria. O Coritiba comprou 20% dos direitos econômicos de Jonas por R$ 1 milhão – informação veiculada anteriormente pelo jornalista Mauro Cezar Pereira, da ESPN. O Flamengo agora passa a ter metade dos direitos econômicos do jogador, que foi comprado junto ao Sampaio Correia.