Armadilha, expulsão e abafa: o Clássico dos Milhões em três atos
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Armadilha, expulsão e abafa: o Clássico dos Milhões em três atos

Fonte: Amanda Kestelman e Felipe Schmidt
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A chuva, o apagão, o cata-cavaco invertido do árbitro Luis
Antonio Silva dos Santos, o pênalti mal marcado no fim. O Clássico dos Milhões teve
cenas dignas de um episódio antigo do Canal 100. No campo, na disputa de bola,
ele pode ser dividido em três diferentes atos que explicam a alternância de
Flamengo e Vasco durante partida, traduzida, no fim das contas, no 2 a 2
no placar (veja os melhores momentos no vídeo acima). 

Da preparação pormenorizada de Milton Mendes para o Vasco,
passando pela reação implacável do Flamengo após a expulsão de Luis Fabiano,
finalizando no bem-sucedido abafa cruz-maltino, assim se desenrolou a batalha
tática no Estádio Mané Garrincha:

Primeiro ato: o nó tático do Vasco

Logo após a vitória sobre o Madureira, Milton Mendes afirmou
que começaria naquela noite de quinta-feira a analisar o Flamengo para elaborar
uma estratégia. O estudo deu certo. O Vasco entrou em campo atento, cumprindo à
risca o plano traçado pelo treinador: marcar individualmente laterais
rubro-negros, explorar contra-ataques e esperar o momento certo para
pressionar. 

– Soubemos neutralizá-los, usamos a velocidade, a arma que
tínhamos treinado. Tentamos esse cenário (nos treinos), e aconteceu realmente.
Dentro disso tínhamos planejado esse jogo, e em alguns momentos executamos –
explicou o treinador vascaíno. 

O gol do Vasco saiu num lance treinado, segundo Milton.
Pressionar Réver era a estratégia, e Luis Fabiano executou perfeitamente, ao
desarmar o zagueiro e acionar Nenê para o cruzamento do gol de Pikachu. Naquele
momento, o Vasco tomava conta do jogo, trocava passes com facilidade e não era
ameaçado.

O Rubro-Negro, por sua vez, parecia não conseguir ditar sua habitual ideia de jogo. Não trocava passes e errava. Tinha menos posse de bola do que de costume. O meio de campo proporcionava espaços para o Vasco avançar, e os pontas pouco apareciam. Zé Ricardo reconheceu o começo de jogo complicado. Após o apagão de luz que deixou o estádio no escuro por alguns minutos, o Fla até ”acordou” e quase empatou no fim da etapa, com boa jogada de Pará pela direita. Mas Damião não chegou na bola. 

Segundo ato: a expulsão de Luis Fabiano

O Rubro-Negro melhorou mais na partida após Luis Fabiano ser
expulso, aos oito minutos do segundo tempo. Ali, o Vasco demorou para se
recompor. Nenê ficou isolado como atacante. O Flamengo foi implacável. Em 10
minutos, virou o jogo. 

Com um a mais, o Flamengo fez valer a vantagem em espaço com rapidez. Voltou a acelerar também pelos lados do campo, explorando melhor as laterais. Os jogadores do meio enfim conseguiram ser mais efetivos na saída. Com a confiança em alta outra vez, parecia ter decidido o jogo do Mané Garrincha. A torcida, empolgada, chegou a gritar olé.

Terceiro ato: o abafa cruz-maltino

Atrás no placar e com um jogador a menos, o Vasco tinha
poucas perspectivas na partida. Mas a última mexida de Milton Mendes funcionou.
Ao colocar Thalles no lugar de Jean, ele empurrou o time para a frente e
apostou numa pressão. O centroavante fez companhia a Nenê no ataque, Escudero e
Manga abriram pelas pontas, e Douglas, incansável no meio-campo, foi o
responsável pela contenção. 

O Flamengo tinha bastante campo para contra-atacar, mas não
conseguiu. Pelo contrário, se retraiu e viu o Vasco conseguir uma improvável
pressão nos minutos finais. Zé Ricardo colocou Marcelo Cirino no lugar de Berrío, mas o atacante, sem jogar desde o início de fevereiro, cometeu duas faltas de frente para a área. O jovem Paquetá substituiu Mancuello, correndo mais que o argentino. Apesar da insistência vascaína, tudo levava a crer que o resultado seria mantido.

Antes do pênalti mal marcado convertido por Nenê, o Cruz-Maltino havia
acertado o travessão num chute de Douglas e quase empatado numa cabeçada de
Jomar. O empate, num lance equivocado (a bola bateu na barriga de Renê), premiou a ousadia de Milton
Mendes e castigou o recuo do lado rubro-negro no fim.