Após morte de detento, presos passam a noite na “tranca”
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Após morte de detento, presos passam a noite na “tranca”

Fonte: Da Redação - Com O Livre
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Durante as "trancas", cerca de 20 presos ficam detidos em celas de quatro metros quadrados

Cerca de 800 detentos foram submetidos à chamada “tranca” na Penitenciária Central do Estado (PCE), depois da confusão que resultou na morte do reeducando Jesuíno Cândido da Cruz Júnior, de 28 anos, na última terça-feira (20). A tranca é um tipo de pena disciplinar cumprida pelos presos em casos de desordem dentro da unidade.

Familiares dos detentos procuraram a reportagem do LIVRE para contar que os presidiários do raio 3 e do raio 4 foram submetidos à tranca desde a quarta-feira (21). O almoço só teria chegado aos detentos por volta das 14 horas de quinta. Ao todo, segundo as famílias, 800 presos estão detidos nas celas.

Na “tranca” os presos são levados para as celas e proibidos de circular nos corredores. A medida, segundo informaram alguns agentes, servirá para evitar novos motins como os que ocorreram na terça-feira.

Na visão dos familiares, no entanto, a ação é uma forma desumana de intimidação dos detentos, que estão descontentes com a decisão do diretor da unidade, Revetrio Francisco da Costa, de retirar ventiladores e baldes de água das celas. “Neste calor que faz ninguém aguenta ficar lá dentro, é insuportável”, lamentou a esposa de um dos detentos submetidos à tranca, que preferiu não revelar seu nome.

Os agentes defendem que a revolta dos presos é uma represália a uma revista ordenada por Revetrio no primeiro dia em que esteve no comando da unidade. Na ocasião, 78 celulares foram recolhidos, além de porções de diversos tipos de drogas.

Morte de detento

Jesuíno Cândido da Cruz Junior, 27 anos, foi morto durante uma confusão na Penitenciária Central do Estado (PCE) que ocorreu na tarde do dia 20 de março. De acordo com o boletim de ocorrência sobre a morte, o jovem foi assassinado com um tiro que atingiu o lado esquerdo da sua testa. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).