Após caos, hospital regional deve voltar a normalidade só em dezembro
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Após caos, hospital regional deve voltar a normalidade só em dezembro

Fonte: Da Redação com Folhamax.
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Foto: Internet.

O Hospital Regional de Rondonópolis (216 km de Cuiabá) deve retomar seu atendimento total “só no início de dezembro”. A declaração é da médica e presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Mato Grosso (CRM-MT), Hildenete Monteiro Fortes, que concedeu uma entrevista à edição do Jornal do Meio Dia da última sexta-feira (16).

A unidade de saúde é gerida pela Organização Social de Saúde (OSS), Instituto Gerir, que reclama da falta de repasses para pagamento de salários pela secretaria de Estado de Saúde (SES-MT). Desde o início de outubro deste ano, os médicos paralisaram as atividades no Hospital – que vem atendendo apenas urgência e emergência.  A presidente do CRM-MT coloca a culpa no modelo de gestão escolhido pelo Poder Executivo, com a utilização das OSS’s.

“Não tem equipamentos, nem insumos. A Gerir não tinha o repasse do Estado desde o mês de agosto e com isso estava prejudicando todo o atendimento. Foram repostos alguns dos medicamentos e há uma previsão de reabertura total só no início de dezembro. O que a gente tem visto é essa questão da terceirização para gerenciar os estabelecimentos de saúde por uma OSS. A gente não viu nenhuma melhora. Se você for em qualquer lugar que está sendo administrado por serviço terceirizado não existe melhora”, avalia a médica.

Um dos problemas encontrados pela terceirização da gestão da saúde pública, na análise da presidente do CRM-MT, são os contratos de trabalho precários firmados com os médicos. Para Hildenete Monteiro Fortes o ideal seria a realização de concursos públicos – diferente do que ocorre hoje nas OSS’s, que estabelecem contratos de prestação de serviços com os profissionais da saúde, sem nenhum vínculo empregatício, nem direito trabalhista (os famosos “PJ”)

“Com a terceirização a maioria das pessoas são contratadas como PJ e aí eles são responsáveis por eles mesmos. Eles trabalham numa situação que não tem férias, que gestante não tem licença. Se ficar doente não recebe salário. O ideal é a contratação através de concurso público. O que nós queremos é uma carreira de médico. Nós trabalhamos em condições bem deficitárias”, lamenta.

SINOP

Durante a entrevista a presidente do CRM-MT revelou que os profissionais do Hospital Regional de Sinop (500 km de Cuiabá) também poderão entrar em greve nas próximas semanas. Hildenete Monteiro Fortes explicou que um médico fiscal do Conselho foi até a unidade de saúde e verificou que ela apresenta os mesmos problemas encontrados em Rondonópolis: salários atrasados e falta de insumos.

“Um médico fiscal do [CRM-MT] foi para Sinop e lá a situação tá pior ainda. Estamos com indicativo de intervenção ética lá porque também não tem insumos. Os médicos estão sem receber. Uma situação que está acontecendo em todos os hospitais regionais”, adverte Hildenete.

O Hospital Regional de Sinop também é administrado pelo Instituto Gerir. Uma paralisação dos enfermeiros na unidade de saúde estava prevista para este sábado (17). Os profissionais, que estão sem receber há dois meses, no entanto, decidiram suspender o protesto em razão da possibilidade do pagamento de um dos salários até a próxima terça-feira (20).