Análise: Sornoza dá forma de jogar, mas marcação no meio desafia o...
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Análise: Sornoza dá forma de jogar, mas marcação no meio desafia o Flu

Fonte: Hector Werlang
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Dado o desconto necessário do primeiro jogo oficial de uma temporada, após 19 dias de preparação e três jogos-treino, o Fluminense versão 2017 foi outro, bem diferente daquele que encerrou o ano passado com um amargo jejum de dez jogos sem vitória. Claro que uma única apresentação não resultou em análise definitiva, porém, a vitória por 3 a 2 sobre o Criciúma, na noite de terça-feira, em Juiz de Fora, indicou caminhos tanto a serem seguidos quanto corrigidos. Dois deles chamaram a atenção na rodada inicial da Primeira Liga, competição na qual o Tricolor busca o bicampeonato. Sornoza se candidatou a ser o protagonista de uma forma de atuar, a de propor o jogo, algo intrínseco aos times de Abel Braga, e a marcação no meio precisou de ajustes, afinal, Douglas e Orejuela demoraram a acertar o posicionamento.

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Verdade que a ausência de Gustavo Scarpa (convocado para a seleção brasileira) contribuiu para Sornoza ser o protagonista do meio e, por tabela, do time. Centralizado no setor, formou linha de três, com Marcos Junior pela direita e Wellington pela esquerda. Atrás deles, os volantes Douglas e Orejuela. À frente, o centroavante Henrique Dourado. A movimentação deste, saindo da área, abriu espaços a infiltrações. Marcos Junior e Wellington apareceram para receber os lançamentos do camisa 20, sempre em diagonal, mas pecaram pela posição de impedimento. Abel, na entrevista coletiva, revelou que esta jogada foi ensaiada à exaustão nos trabalhos da pré-temporada no CT. Foi suficiente, apesar das irregularidades marcadas pelos assistentes, para diferir da formação que no ano passado dependia de jogadas individuais ou de bola parada.

– A diagonal
do Wellington e do Marcos Junior fizemos muito bem, mas temos de melhorar. O
Dourado puxava… mas jogadores com a velocidade deles não precisam entrar
antes. Isso deu certo pois fizemos (o que treinamos), mas o posicionamo muitas vezes estava em
impedimento. O (primeiro) gol foi em jogada trabalhada, mas sofremos em jogada que
combinamos. É a concentração, acontece. Vai se pagar um preço nesse começo, em
ainda três ou quatro jogos – analisou Abel.

O gol de Henrique, o primeiro do Flu, realmente, foi em jogada ensaiada. Sornoza cobrou a falta, Renato Chaves escorou de cabeça para o meio. O colega de defesa cmpletou. Se busca o jogo, Abel também deixou claro que não quer liberdade ao adversário. Adotou a marcação pressão. No primeiro tempo, demorou a funcionar. Isto porque o Criciúma, que disputará a Série B do Brasileirão, conseguiu sair trocando passes. Com jogadores adiantados, a defesa tricolor ficou exposta. Douglas e Orejuela foram envolvidos e, com espaço, o time catarinense ameaçou.

– Várias vezes falei com Douglas, que disse que ele (Orejuela) não
entendia muito bem. Ele teve dificuldade no posicionamento. Em alguns momentos,
tinha de individualizar a marcação. Ele ficou… Mas tem qualidade. A língua pesa. A tendência é
melhorar – comentou Abel.

Foi só no segundo tempo o Flu conseguiu dominar o rival. Parou de correr riscos com o ajuste no posicionamento: Orejuela guardou mais posição. A marcação pressão surtiu efeito, mas o ataque passou a ser mais efetivo. Lucas Fernandes deu mais mobilidade ao setor. No primeiro lance, fez o que só Wellington tinha feito pouco tempo atrás: serviu Henrique Dourado, que cabeceou para fora. Pouco tempo depois, Lucas Fernandes ainda finalizou forte, mas Luiz fez grande defesa. E Pedro, após passe de Léo, ganhou na força do zagueiro Raphael Silva e marcou um belo gol.  Foi a virada no placar. E uma possível sombra a Henrique Dourado.

O jogo também mostrou necessidade, como disse o treinador, de melhorar nas jogadas de bola alçada. Renato Chaves não marcou Raphael Silva, que abriu o placar. O defensor tricolor voltou a jogar depois de muito tempo: não entrava em campo desde 3 de setembro de 2016. Sentiu falta de ritmo, deve evoluir. Henrique estava sozinho na área, no momento em que Hélio Paraíba fez o segundo de cabeça. Este foi, assim como no passado, um problema.

Entre acertos e erros, o Flu deixou Abel satisfeito. Ele não só anunciou que manterá o time e a forma de jogar como dará tempo para buscar evolução. A começar pelo clássico contra o Vasco, domingo, na estreia do Carioca. Só com uma mudança: a volta de Scarpa no lugar de Marcos Junior.