Análise: São Paulo controla clássico sem pressionar; defesa volta a falhar
Supermoveis



Análise: São Paulo controla clássico sem pressionar; defesa volta a falhar

Fonte: Alexandre Alliatti
SHARE

O São Paulo do empate por 1 a 1 com o Corinthians, neste domingo, refletiu a síntese do São Paulo de 2017: um time que não empolga. E tampouco assusta. Na quinta partida consecutiva sem vencer (e a 13ª seguida em que foi vazado), o Tricolor foi uma equipe de mais qualidades do que defeitos – mas que teve falhas graves a ponto de eclipsarem os acertos. O rendimento, superior ao Corinthians na maior parte do jogo no Morumbi, indica que os resultados tendem a melhorar – especialmente quando não houver tantos desfalques (Cueva, Buffarini, Pratto e Bruno não jogaram). . Mas é preciso evoluir.Jogando em casa, os comandados de Rogério Ceni se propuseram a controlar a partida. E conseguiram. O São Paulo teve mais a bola, trocou mais passes, finalizou mais. Não venceu porque errou onde costuma errar: na defesa.

O treinador armou a equipe com cinco jogadores no meio: dois com atribuição mais defensiva (Jucilei e Cícero), três mais livres para criar (Thiago Mendes, Wellington Nem e Luiz Araújo). Interessante observar o posicionamento inicial de Thiago Mendes: aberto pela direita, com Nem centralizado. Depois, porém, eles trocaram posições, e o time melhorou – o ex-jogador do Fluminense estava apagado até então.

Com Thiago Mendes avançado, Ceni tentou deixar a equipe forte ofensivamente sem perder capacidade de recomposição. O volante foi bastante ativo na partida. Aos 28 do primeiro tempo, por exemplo, voltou quase até a área defensiva para ajudar na marcação e desarmar o adversário. Por característica, teve mais importância tática que Wellington Nem e Luiz Araújo. Equilibrado em campo, o São Paulo passou o primeiro tempo com mais de 60% de posse. Mas jamais conseguiu pressionar. Justifica-se: do outro lado, havia uma equipe de defesa bem postada – com mais propensão a se fechar e partir em contra-ataques. Gilberto teve atuação apagada justamente porque o bloqueio defensivo do Corinthians funcionou bem. Luiz Araújo acabou sendo a peça mais acionada do São Paulo no primeiro tempo. Arriscou bastante, mas teve pouca vitória pessoal. O Corinthians, em contrapartida, mal atacou – comprovando o controle são-paulino em campo.Para vencer, porém, o Tricolor precisaria ser mais agressivo. E começou o segundo tempo assim. Wellington Nem, pelo meio, encontrou Luiz Araújo pronto para fazer o gol – mas a conclusão foi defendida por Cássio. Era o ensaio para o gol um minuto depois: Maicon, de cabeça, aproveitando cobrança de escanteio (veja no vídeo abaixo).

Com a vantagem, a grande missão do São Paulo era não deixar a peteca cair: manter-se superior para manter o Corinthians longe de seu gol. O adversário, claro, pensou diferente. E tratou de ficar mais perto da área de defesa tricolor.E é aí que está o problema: para o São Paulo, ter alguém perto de sua defesa vem sendo um perigo. Jô, sozinho dentro da área, entre Rodrigo Caio e Júnior Tavares, cabeceou sem problemas para empatar. O detalhe é que havia mais gente marcando o cruzamento (cinco jogadores cercando a jogada) do que marcando o alvo do cruzamento (dois, e longe dele). Falha grave de posicionamento, como deixou claro Rogério Ceni depois do jogo:– Erramos uma coisa básica, que foi deixar o Jô sozinho na área. Um erro básico, simples – disse o treinador.

Depois do empate, o São Paulo quase se complicou. Criou chances e depois permitiu que o Corinthians também ameaçasse. Wellington Nem exagerou na empolgação e poderia ter sido expulso bem antes dos 48 do segundo tempo – quando o árbitro entendeu que ele deixou o braço no rosto de Camacho. 

O resultado serviu para classificar o São Paulo. Na próxima fase, a realidade já será de mata-mata, e os erros reincidentes não poderão mais acontecer – sob pena de eliminação.