Análise: falta de encaixe explica falhas do Palmeiras em empate com o...
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Análise: falta de encaixe explica falhas do Palmeiras em empate com o Audax

Fonte: Alexandre Alliatti
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O esquema 4-1-4-1 é o desenho do Palmeiras de 2017, e ele tem uma qualidade central: deixar os meias próximos e, assim, facilitar ações coordenadas tanto de combate defensivo quanto de criação ofensiva. Mas é preciso treinamento, repetição, insistência para que essas ações se tornem quase automáticas. No empate por 2 a 2 com o Audax não aconteceu. E não aconteceu principalmente porque o quarteto de meio não está acostumado a jogar junto. Foi daí que surgiram os problemas do time alviverde neste sábado na arena.Claro, era um risco calculado por Eduardo Baptista ao mandar a campo uma equipe que pendia para a reserva – desfalcada por convocações, lesões e atletas poupados. Ele sabia que seu time perderia naturalidade ao não ter jogadores como Dudu, Guerra e Felipe Melo. Mesmo assim, conseguiu montar um meio forte: Thiago Santos na proteção, e à frente dele Róger Guedes, Michel Bastos, Tchê Tchê e Keno.

Contra um time como o Audax, a postura desse meio se torna ainda mais importante – pela capacidade de toque de bola e avanço coletivo dos comandados de Fernando Diniz. Depois do jogo, Eduardo Baptista disse que orientou seus atletas a marcar pressão a saída de bola adversária. Mas isso aconteceu apenas em partes da partida. Por vezes (especialmente nos primeiros minutos), o Palmeiras esperou o Audax avançar até a linha central do campo – para aí fazer o combate. Não por acaso, a equipe de Osasco arrematou três vezes a gol já nos primeiros quatro minutos de partida.Com o tempo, o Palmeiras passou a apertar mais a saída de bola, e o Audax começou a mostrar dificuldades. Prova disso foi a bola que o goleiro Felipe Alves mandou nos pés de Michel Bastos. Ele errou porque foi perseguido por Keno. Quando Michel bateu na bola (e ela quase entrou), havia outros três jogadores alviverdes à frente dele: Alecsandro, Róger Guedes e Keno. Era o Palmeiras tentando abafar a saída do Audax.

Essa tática tem um risco: enfraquecer a defesa a partir do momento em que o adversário consiga furar o bloqueio inicial. Mas não foi o que aconteceu no primeiro gol do Audax (quando o Palmeiras vencia por 1 a 0). Havia nove jogadores de verde (mais Jailson) dentro da área no momento em que Betinho mandou o chute. Mérito do Audax. Já o segundo gol da equipe de Fernando Diniz foi um contra-ataque muito rápido após escanteio para o Palmeiras. Róger Guedes apenas cercou o rebote, e logo a bola estava no ataque para Léo Artur vencer Zé Roberto e fazer um golaço (veja no vídeo abaixo). 

Ofensivamente, as dificuldades do Palmeiras também passaram pelo quarteto de meio. Eduardo Baptista alinhou os atletas com Keno aberto pela esquerda, Róger Guedes agudo pela direita e Tchê Tchê e Michel Bastos mais centralizados – o primeiro caindo mais para a esquerda, o segundo mais para a direita. É bastante comum que essa linha seja mutante em times de esquema 4-1-4-1 – os atletas trocam de posição com frequência, dificultando a marcação. O Palmeiras do jogo contra o Audax, porém, foi praticamente estático. Os jogadores raramente variaram posições.E, quando variaram, saiu o gol. Aos 46 do primeiro tempo, Alecsandro saiu da área e acionou Michel Bastos totalmente aberto pela direita. Ele conduziu a bola para uma região mais central e mandou o chute. O goleiro deu rebote, e Róger Guedes, feito centroavante, caindo mais pela esquerda, completou – uma ação de inteligência do meia, que soube ocupar a área de Alecsandro, já que Michel Bastos estava em seu espaço de ação (veja no vídeo abaixo).

Essas variações de posição também dependem de repetição. É natural que não tenham acontecido com tanta frequência. No segundo tempo, com os times frenéticos, atacando em sucessão, os jogadores se tornaram naturalmente mais “irresponsáveis”. E aí pesou o dedo do treinador. Eduardo Baptista mandou a campo, ao mesmo tempo, Willian e Erik. E foram eles que tabelaram, logo depois, para marcar o segundo gol (vídeo abaixo) – em roubada de Erik e finalização dupla de Willian, que antes também mandara uma pancada no travessão.