Análise: clássico mostra que Vascode Cristóvão levará tempo para crescer
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Análise: clássico mostra que Vascode Cristóvão levará tempo para crescer

Fonte: Felipe Schmidt
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Os xingamentos e gritos de “burro” contra Cristóvão Borges na derrota do Vasco
para o Flamengo por 1 a 0, na semifinal da Taça Guanabara, evidenciaram a
pequena paciência da torcida para o treinador. A situação é corriqueira no
futebol, mas, no caso específico do Cruz-Maltino, carrega mais perigo: por todo
o processo de montagem do elenco para 2017, o artigo mais valioso para o
futebol vascaíno na temporada é justamente o tempo.

Não há garantia de que, mesmo com toda a paciência do mundo, Cristóvão
consiga fazer o time funcionar. O treinador, ao chegar, buscou implantar um
estilo de jogo bastante diferente ao que a equipe praticou com Jorginho em
2017. Saiu o 4-4-2 em losango, entrou o 4-2-3-1; a pressão alta é algo mais
praticado, assim como a valorização da posse de bola. Os conceitos são
diferentes, e, naturalmente, o processo é lento. 

Cristóvão, claro, tem sua parcela de responsabilidade. Ele começou o ano
tentando escalar meias como volantes, experiência que não frutificou. O time
ainda se mostra lento, com dificuldades de finalização. As deficiências ficaram
ainda mais expostas contra um Flamengo maduro, justamente por ter um trabalho
mais antigo. E as substituições do treinador vascaíno, tão criticadas pela
torcida, realmente não surtiram efeito. 

Eliminado da Taça Guanabara, o Vasco ainda tem perspectiva de crescimento. E
tudo passa pelos reforços. Está aí a grande dificuldade: o entrosamento vem ao longo do campeonato.

De todos os contratados para a temporada, apenas
Escudero fez pré-temporada completa com o elenco. Jean e Gilberto vinham
jogando em seus ex-times. Mas Wagner, Muriqui, Manga, Kelvin e Luis Fabiano vêm
de longa inatividade e precisarão de tempo para adquirir ritmo e se entrosar.

– Essas oscilações são normais por causa disso. Elas vão acontecer. Os jogadores contratados, quase todos, estavam sem jogar há muito tempo. Nós temos que prepará-los para jogar, mas fazemos isso durante o campeonato. Com isso, é um trabalho de dois meses na montagem da equipe, recebendo os jogadores nessas condições. Isso requer tempo – justificou Cristóvão.

Por tudo isso, internamente há o entendimento de que o Vasco, se realmente
funcionar, só estará pronto para o Campeonato Brasileiro. A questão é saber se
ainda haverá areia na ampulheta até lá.