Advogado estranha citação de delegada sobre factoring sem inquérito na PC
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Advogado estranha citação de delegada sobre factoring sem inquérito na PC

Defesa de Rodrigo Barbosa quer saber detalhes do funcionamento do Cira

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Foto:Assessoria.

Responsável pela defesa do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), o advogado Bruno Alegria questionou a função do Cira (Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos), órgão responsável pelo início das investigações que culminaram com a “Operação Sodoma”. O advogado colocou que, em um ano e meio de funcionamento, ainda não há uma definição sobre a função ou até mesmo os responsáveis pelo órgão. “A gente não conhece como funciona este órgão. Qual a atuação dele, a gente não ouviu falar que o Cira atuou em outras investigações fora do contexto de Silval Barbosa. Por exemplo, sou advogado dentro da Rêmora, e não sei por qual motivo que o Cira não está ali”, declarou Alegria.

Alegria citou que até mesmo os delegados Lindomar Tóffoli, Alexandra Fachone e Márcio Moreno Veras não têm explicações concretas sobre o Cira. “O primeiro delegado fala que o Cira está dentro da Defaz. O segundo fala que a Defaz está dentro do Cira. Então é importante que a sociedade procure entender o que é este órgão. O que exatamente o Cira tem feito, o que já conseguiu de efetivo. O órgão foi criado em fevereiro de 2015 e a gente não sabe, não tem um relatório apresentado do que fez pelo Governo, para a sociedade”.

O advogado acredita que a audiência possa esclarecer questões que vão além da “Operação Sodoma”. Ele, por exemplo, não tem a informação de quem responde pelo comitê. “Espero que o próprio responsável pelo Cira apareça em público. De repente com isso, a partir de agora o Governo vem e esclareça. Digo o Governo do poder executivo, porque é um órgão que foi criado pelo executivo, por um decreto”.

Apesar de toda dúvida ou suspeita quanto a real função do Cira, Alegria evita afirmar que o órgão foi criado com motivação política com intuito de atingir apenas os membros da gestão passada do Governo do Estado. “Dizer que tem algum cunho que não seja jurídico. Não tenho como dizer isso. E prefiro acreditar que realmente isso não aconteça. Prefeito acreditar que as intenções sejam boas, mas que sejam feitas dentro da legalidade”.

Em relação a situação de Rodrigo Barbosa, o advogado considerou os depoimentos dos delegados como positivos. Segundo ele, não ficou demonstrado nenhuma prova contra o filho do ex-governador, que não a delação premiada do ex-secretário de Administração, Pedro Elias Domingos. “Os delegados deixaram claro para a gente que todo este processo é pautado na conversa de réus corruptos confessos que acabaram direcionando para outras pessoas também. Em alguns casos existem provas, mas nos casos que realmente interessam para a gente, aí o dinheiro não dá pra rastrear”.

FACTORING 

O advogado ainda demonstrou surpresa quanto as declarações da delegada Alexandra Fachone de que Rodrigo Barbosa usou uma factoring do proprietário da Solução Cosméticos, Jurandir, para trocar cheques recebidos como propina. “Confesso que ainda estou surpreso. Se o que a delegada disse é verdade, que o Pedro Elias mencionou isso e não contou isso, será que está escondendo algum argumento? Isso não existe no processo, ela falou de um fato que não existe”, assinalou.

Alegria destacou que a própria delegada teve que se corrigir na audiência. “No processo não tem absolutamente nada sobre isso. Tanto que ela até se retratou”, disse.

Fonte:FolhaMax.

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