A juíza da incoerência…
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A juíza da incoerência…

Fonte: Da Redação NMT
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Foto - Alair Ribeiro/MidiaNews

A greve dos caminhoneiros, como já era projetado por quem analisava o cenário com um pouco mais de realidade, vai trazer resultado positivo  apenas para quem tem carro a diesel e para a própria categoria, enquanto que o restante da população ficou com o prejuízo da perda de tempo em longas filas para abastecer, bem como de dinheiro porque subiu a gasolina durante o manifesto. Mas como a grande massa acreditava que todos os problemas do país seriam resolvidos e apoiou as paralisações, aqueles que tem pretensões políticas não perderam tempo e tentaram capitalizar holofotes, afinal, outubro é logo ali.

Uma dessas figuras foi a ex-juíza, Selma Arruda, que sonha ser senadora por Mato Grosso pelo partido de Jair Bolsonaro, o PSL, e já até inventou uma websérie para contar a história de sua vida, em tom explícito de campanha, mesmo sendo uma pré-candidata. Sobre a greve, Selma gravou dois vídeos dizendo sobre a importância da manifestação e classificou o movimento como “lícito e organizado”. Ocorre que em uma rápida pesquisa sobre seus posicionamentos nos últimos anos, nota-se que ainda enquanto juíza os movimentos grevistas não eram assim alvos de tantos aplausos da dita cuja.

Em novembro de 2016, em matéria publicada pelo site MidiaNews, Selma Arruda lamentava a ‘desordem’ causada no Fórum de Cuiabá, devo uma greve dos agentes penitenciários que, na época, buscavam melhores condições de trabalho. Como se incoerência pouca fosse bobagem, a juíza que apoia Bolsonaro em 2018, tentando surfar na onda do extremismo da direita que diz que “bandido bom é bandido morto”, ainda mostrou preocupações com os presos, que poderiam estar ‘sofrendo’ por causa da paralisação dos trabalhadores.

“O que os presos comeram? Só Deus sabe”, disse Selma, lamentando o fato dos agentes não poderem acompanhar alguns detentos de volta do Fórum até o presídio, fazendo-os pernoitar fora de suas celas. Ela chegou a dizer que os grevistas apontaram armas para oficiais de justiça que tentaram realizar esse serviço, em tom claro de desconstrução do movimento, já que o mesmo atrapalhava a condução de uma audiência relacionada a Operação Rêmora, conduzida por ela.

Ou seja, se uma greve pode deixar o povo de bem sem comida, remédio e combustível, tudo bem para a juíza. Mas se uma causa de outra categoria prejudicar presos, aí ela é contra? Ou a aposentadoria mudou a cabeça da ex-magistrada, ou ela acha que caminhoneiros são trabalhadores com mais méritos que agentes prisionais, ou então, o que seria muito pior, a pré-candidatura lhe trouxe o mesmo oportunismo de muita gente que já está há anos na política e que são exatamente aqueles que ela mais critica.