Domingo no Hopi Hari
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Domingo no Hopi Hari

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Domingo no Hopi Hari

3.3.18.

 

Meu dileto amigo Francisco de Lagos, sempre me dizia que a estória do “Jacó e Elias” deveria ser contada aos melhores amigos, pelo menos 11 vezes. Acho que já ouvi da boca dele umas duzentas vezes, mas cumpriu a profecia quanto contou exclusivamente a mim, mais que a quantidade necessária. A primeira vez foi no Hopi Hari, localizado no principado de Vinhedo, cidade de São Paulo. O parque de diversões que fica a 30 quilômetros de Campinas.

Era um domingo de sol, no início de janeiro de 2005. Eu estava hospedado no seu apartamento, que ficava a duas quadras da prefeitura. Dirigido pelo Lagos tomamos a Rodovia dos Bandeirantes, junto ia o seu filho Diego Lagos, um piá, ainda.

Inicialmente seguíamos o Diego nos brinquedos, daí fomos cansando e só olhava de longe. Depois nos esquecemos do menino. Foi um dia na minha vida que estive praticamente o dia todo só com o Lagos, e conversamos até acabar o assunto. Ouvi a estória do “Jacó e Elias”, nesse dia por duas oportunidades, a segunda por insistência dele, para facilitar o alcance do número 11, como pregava.

Rememoramos as campanhas políticas e as demandas geradas e provocadas pelas intempestivas ações. Desde nosso primeiro contato no gabinete do prefeito Percival Muniz, até as tomatadas que tomamos num comício. As loucuras que fizemos ao participar de três campanhas ao mesmo tempo e vencê-las, atuando com a estratégia de marketing e o planejamento de comunicação em 2004, de: Adilton Sachetti (Rondonópolis-MT), Augustinho de Freitas (Pedra Preta-MT) e Mano (Sonora-MS). Um dia depois do resultado das eleições ele foi para Cuiabá para acertar com o Alexandre César, a campanha do segundo turno, mas não se acertaram porque o Lagos deduziu que o propenso contratante seria o próprio marqueteiro e muito prepotente. Dois dias depois estava em Campinas para atuar no segundo do turno, na campanha do Doutor Hélio de Oliveira Santos, do PDT, do qual também saiu vencedor. Não o acompanhei no primeiro momento, mas ajudei virtualmente. Uma leva de rondonopolitanos natos, ou residentes foi ainda em outubro daquele ano.

Era final de dezembro de 2004 e eu já tinha declinado inúmeras vezes dos convites para participar do governo de transição e depois do próprio governo do Doutor Hélio, a pedido do Lagos. Quando descobri a estratégia que o Adilton Sachetti iria usar na secretaria de cultura de Rondonópolis, após uma reunião no Casario, com ele e alguns artistas da cidade fiquei desiludido com os caminhos que a cultura da minha cidade iria continuar tomando, daí já aceitei o convite do Lagos para ir visitá-lo no seu apartamento de Cuiabá, no dia 27 daquele mês, quando ele iria preparar a mudança para Campinas. Ele queria me convidar ao vivo para acompanhá-lo na missão paulista. Era uma estratégia infalível dele para o convencimento. Fui após ele prometer que iria bancar todas as despesas para uma temporada de dois dias, minha com a família na nossa famosa jordanense Chapada dos Guimarães.

Chegando ao prédio pedi a minha esposa para aguardar no carro, pois a conversa seria rápida. Como sempre foram dois “ois” no contato inicial, um meu e outro dele. Taquei-lhe logo uma afirmação:

– Se você responder sim para três perguntas que tenho aqui eu vou para Campinas com você.

– Faça-as – respondeu.

– Primeiro. Você acha que eu darei conta de fazer o que você quer que eu faça lá?

– Só você consegue – respondeu.

– Segundo. Você vai me pagar o que eu estou pensando aqui?

– Vou pagar o dobro – disse secamente.

– Então eu vou. Não tem terceira pergunta – respondi feliz da vida.

Ele meteu a mão no bolso e me entregou um maço de dinheiro dizendo que era um adiantamento. Eu respondi que não aceitava como adiantamento, mas como o prometido do passeio a Chapada.

Dia 02 de janeiro de 2005 cheguei ao aeroporto de Viracopos, com setenta reais no bolso. Não sabia que a distância do aeroporto até a cidade era tão longe e cara. Sobraram-me vinte reais, mas como fui bem recebido. Fiquei assistindo um tempo no apartamento do anfitrião.

– Eis-me aqui – disse-lhe.

– Oi – foi a resposta de sempre.

Claro que vou contar aqui a primeira vez da estória do “Jacó e Elias”. Não sei se terei outras dez oportunidades. Também não sei se ela já existe, caso afirmativo estou repercutindo:

Jáco devia para Elias. Jacó já estava com insônia por dever ao compadre e amigo. Certo dia acordou cedo, se é que acordou, e foi bater à porta do Elias:

– Elias meu irmão, Elias meu compadre, Elias meu amigo. Vim aqui lhe falar que o primeiro dinheiro que entrar no meu caixa eu irei lhe pagar.

Jacó voltou a dormir como um anjo, entretanto o compadre Elias passou a ter insônias desmedidas, pois sabia que não iria receber patavina nenhuma.